As revelações bombásticas feitas na delação premiada do ex-vice presidente de relações institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, colhidas pela Polícia Federal ainda ecoam nas paredes do Palácio do Planalto e geraram um verdadeiro alarde no governo de Michel Temer. O alarde foi tanto que, segundo informação publicada no jornal “O Globo”, os governistas avaliam uma forma de “melar” o depoimento de Cláudio Melo Filho.

De acordo com a reportagem, os governistas estudam a possibilidade de pedir à Justiça a anulação do depoimento do executivo. A razão que seria utilizada para justificar a anulação, seria o “vazamento das informações” antes da homologação do depoimento, na maior corte do país, o Supremo Tribunal Federal (STF).

O pedido de anulação seria baseada em outra ação de vazamento de informações, ocorrida com o ex-diretor da OAS, Léo Pinheiro, que também teve seu depoimento a Polícia Federal, “vazado” na mídia, após depor aos procuradores da Lava Jato. Na oportunidade, o vazamento ocorreu antes da homologação do STF e implicou na suspensão das negociações de acordo de delação premiada. A atitude foi tomada pela Procuradoria Geral da República, na pessoa de seu procurador, Rodrigo Janot.

Vazamento de informações irritou Rodrigo Janot

O vazamento das informações contidas no depoimento de delação premiada de Cláudio Melo Filho, irritou o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot. No sábado (10), Janot já havia se pronunciado sobre o vazamento, e avaliou que uma rigorosa investigação deveria ser feita para descobrir, a fonte dos vazamentos de informações que eram para ser segredo de justiça.

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Uma vez não homologada, as denúncias feitas por Cláudio Melo Filho, poderiam ser consideradas falsas, e poderiam ser utilizadas, num eventual discurso político de Michel Temer. Porém, mesmo com a anulação, as informações contidas no bombástico depoimento, serviriam de ponto de partida, para outras investigações futuras dos Procuradores da Força Tarefa da Lava Jato.

O único empecilho para o governo, seria o acordo de delação premiada de Cláudio Melo Filho que já está assinado com o Ministério Público Federal, o que não impede que ele de outras informações comprometedoras ao PF. No caso de Léo Pinheiro, o acordo ainda não havia sido assinado, o que permitiu a Rodrigo Janot anular as negociações de delação premiada.