O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que encontra-se preso em Curitiba, com base em acusações de Corrupção no âmbito da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, se envolveu como alvo em novas denúncias, de acordo com descobertas da força-tarefa. Nesta sexta-feira (13), a Polícia Federal deflagrou a Operação Cui Bono. Essa operação faz parte de um desdobramento da Lava-Jato, que havia lançado em dezembro de 2015, a chamada "Operação Catilinárias", assim que foram cumpridos mandados de busca e apreensão na residência do ex-deputado. Naquele período, foram apreendidos três aparelhos celulares de Eduardo Cunha.

Revelações de celular em desuso

A análise de acordo com perícias nos aparelhos encontrados na casa do ex-deputado, revelam "intensa troca de mensagens eletrônicas", segundo os agentes federais, entre o ex-deputado fluminense e o ex-ministro da Secretaria de Governo do presidente Michel Temer, Geddel Vieira Lima.

As descobertas da Polícia Federal dão conta de que Cunha era um usuário contumaz na utilização de SMS e whatsapp para se comunicar com empresários e políticos. As mensagens presentes nos históricos desses aparelhos móveis, denotam um grande número de conversas mantidas pelo ex-deputado fluminense, durante semanas e até meses. Segundo as investigações, as conversas entre Cunha e Geddel, demonstram que políticos receberam vantagens indevidas, em troca da liberação de créditos para grandes empresas, em relação à Caixa Econômica Federal. O objetivo da força-tarefa da Polícia Federal, é apurar se o ex-ministro Geddel, então vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa e os demais investigados, se teria cometido crimes de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e corrupção. A operação da PF deflagrada nesta sexta-feira realizou cerca de sete mandados de busca e apreensão em endereços localizados nos estados de São Paulo, Bahia, Paraná e no Distrito Federal.

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O esquema de corrupção seria responsável por liberar recursos públicos oriundos da Caixa Econômica Federal para grandes empresas, através de direcionamento político, com a participação ativa de Eduardo Cunha, troca de pagamento de propina.

Defesas negam

A defesa do ex-deputado Eduardo Cunha afirma que "não teve acesso às investigações, porém, desde já, nega de modo veemente todas as suspeitas divulgadas." A Caixa Econômica Federal afirma que "colabora com as autoridades, através de contato permanente". Até o término da reportagem, a defesa de Geddel Vieira Lima não havia estabelecido contato.