O empresário Alexandre Margotto forneceu informações preciosas à Polícia Federal. Em sua delação premiada, ele falou da influência do ex-ministro Geddel Vieira lima em um suposto esquema de Corrupção na Caixa Econômica Federal. Homologada pelo juiz Vallisney Oliveira, o depoimento de Margotto traz também o envolvimento do empresário Joesley Batista, dono do grupo J&F e algo surpreendente que aconteceu pela primeira vez: o delator afirma que uma pessoa se mostrou honesta e não aceitou participar de todo esse esquema de corrupção.

Vamos entender o caso. Magotto trabalhava junto com Lúcio Bolonha Funaro, operador financeiro do ex-deputado, Eduardo Cunha. De acordo com o depoimento de Margotto, o grupo de Cunha mantinha um esquema de corrupção dentro da Caixa Econômica Federal, juntamente com Fábio Cleto, vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias do banco,indicado por Cunha e com Geddel Vieira Lima, ex-secretário de governo do presidente Michel Temer.

O delator disse que Funaro tinha influência sobre Geddel na Caixa e não gostava muito de Cleto, pois Cleto não lhe conseguia lhe dar tantos ganhos quanto Geddel.

"Ele mandava no ex-ministro e ganhava muito em cima de todo esse esquema". Segundo Margotto todos os desvios nos financiamentos da Caixa eram divididos, mas a maior parte ficava com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Mas mesmo assim tanto ele quanto outros políticos também ganhavam boas quantias.

Honestidade

O delator citou a amizade entre Joesley Batista, presidente da J&F e Funaro. O empresário chegou a dar de presente para Funaro uma casa de R$ 20 milhões. Os dois viajavam bastante juntos.

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Corrupção

Em comum acordo com Eduardo Cunha e Funaro, Batista indicou Flávio Turquino para o Departamento de Inspeção de produtos de Origem Animal do Ministério da Agricultura. O objetivo do empresário era ter altos ganhos colcoando um homem de confiança sua nesse cargo. Mas ao saber de todo esse esquema de corrupção, Turquino não concordou e pediu para sair. Ficou apenas por dois meses. "Não quero estragar o nome da minha família. eu prezo por fazer as coisas certas", disse Turquino.

Foi o primeiro caso de honestidade relatado em uma delação premiada.

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