O ministro de Relações Exteriores, José Serra, surpreendeu a todos na noite desta quarta-feira. Serra encaminhou ao presidente da República, Michel Temer, uma carta pedindo exoneração do seu Ministério, explicando o que o levou a tomar tal decisão.

O principal motivo para a renúncia foram problemas de saúde. Há alguns dias já se sabia que o tucano estava com a saúde um tanto debilitada. Como isso o impossibilitava de realizar todas as viagens internacionais programadas, Serra optou pela saída do Ministério. Apesar disso, a exoneração era esperada.

Até o momento não se sabe quem assumirá o Ministério de Relações Exteriores, também não há nomes especulados.

Espera-se que o presidente se posicione sobre o assunto nesta quinta-feira (23).

Após a renúncia, José Serra voltará suas atenções novamente para o Congresso Nacional. O tucano ainda possui mandato como senador, e após estar plenamente reabilitado, voltará a cuidar de suas obrigações.

VEJA A ÍNTEGRA DA CARTA

"Senhor presidente

Pelo presente, venho solicitar minha exoneração do cargo de Ministro de Estado de Relações Exteriores.

Faço-o com tristeza, mas em razão de problemas de saúde que são de conhecimento de Vossa Excelência, os quais me impedem de manter o ritmo de viagens internacionais inerentes à função de Chanceler. Isto sem mencionar as dificuldades para o trabalho do dia a dia. Segundo os médicos, o tempo para restabelecimento adequado é de pelo menos quatro meses.

Para mim foi motivo de orgulho integrar sua equipe.

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No Congresso, honrarei meu mandato de senador trabalhando pela aprovação de projetos que visem à recuperação da economia, ao desenvolvimento social e à consolidação democrática do Brasil.

Respeitosamente,

José Serra"

Passagem curta, porém marcante

O curto período em que o tucano esteve à frente do Ministério, foi marcado por críticas ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Após a ex-presidente Dilma Rousseff sofrer o impeachment, as relações entre os dois países ficaram tensas.

Outro momento marcante do ex-chanceler foi quando, em julho, afirmou que não queria nem pensar em uma eventual vitória de Donald Trump, na presidência norte-americana. Após a eleição do magnata ter sido confirmada, o discurso de Serra se tornou mais ameno e pragmático.