Afastado do governo por licença médica, já que fará uma cirurgia na próstata na próxima semana, Eliseu Padilha se vê no centro de uma grande polêmica que pode ameaçar sua permanência no governo.

O ministro-chefe da Casa Civil foi citado por José Yunes, ex-assessor da Presidência e amigo pessoal de Temer. O experiente advogado revelou que, em 2014, aceitou receber um envelope em seu escritório de advocacia a pedido de Padilha. Mais tarde, revelou-se que se trava de dinheiro intermediado pelo doleiro Lúcio Funaro, preso pela Lava-Jato e ex-operador de Eduardo Cunha.

Yunes divulgou a sua versão em entrevista ao jornal Estado e causou grande repercussão em Brasília.

Diversas lideranças do PT se manifestaram contra a permanência de Padilha no governo.

“Ele não tem mais condições de seguir no Executivo, precisa ser demitido. Nem é denúncia, é uma prova testemunhal de José Yunes, amigo do presidente”, resumiu o deputado Carlos Zarattini, líder do PT na Câmara.

Humberto Costa, líder do PT no Senado Federal, disse que não espera que Temer afaste Padilha do cargo, mas resumiu o caso como “grave”. Ele lembra que Yunes avisou o próprio presidente sobre a entrega do envelope em seu escritório.

Eliseu Padilha é um dos principais conselheiros políticos de Michel Temer e integra o núcleo duro do governo. Ele descartou pedir para sair do cargo e disse que retorna no dia 6 de março, mais de uma semana depois de realizar a cirurgia na próstata.