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A Operação Lava Jato foi deflagrada pela Polícia Federal em março de 2014. Passados quase três anos de investigação, o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não condenou nenhum político com for privilegiado. Apesar do acúmulo de denúncias e das mais diversas delações citando políticos que compõem os cargos públicos, apenas quatro se tornaram réus nesses quase três anos.

Para se ter uma ideia, a outra frente que julga os investigados na Lava Jato, o juiz de 1ª instância, Sérgio Moro, já proferiu 125 sentenças, condenando 87 pessoas. Dos políticos sem foro privilegiado, por exemplo, Moro já condenou o ex-ministro José Dirceu e o ex-senador Gim Argello.

Essa diferença de velocidade nas condenações dá margem para críticas de ambos os lados. Há quem reclame da demora do Supremo em julgar e condenar políticos investigados, argumentando que é uma porta para a impunidade. Por outro lado, existem aqueles que criticam a "vontade" de condenar de Sérgio Moro, questionando a postura do juiz e relativizando que os condenados não teriam todas suas garantias de defesa.

Entenda alguns pontos que tentam justificar a demora do STF em comparação com as condenações de Moro:

A Vara de Curitiba, em que trabalha Sérgio Moro, tem o único objetivo de julgar processos penais. Desde fevereiro de 2015, por ordem do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), estão suspensas qualquer distribuição de processos para sua vara que não sejam da Lava Jato. Até os seus casos antigos formam distribuídos para sua juíza substituta.

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Por outro lado, o Supremo Tribunal Federal é a principal corte do país. Para se ter uma ideia, sua função principal é garantir que a Constituição do Brasil seja cumprida. O STF julga semanalmente inúmeras ações que são colocadas como urgentes. Por exemplo, durante o processo de impeachment da presidente Dilma, o STF teve que agir por diversas vezes.

Outro ponto que diferencia a velocidade de julgamento do STF e Sérgio Moro são as apreciações em conjunto que devem ser feitas pela Suprema Corte. Moro toma suas decisões de forma individual, enquanto no Supremo existe um rito que precisa passar. É necessário pautar em uma das turmas - com cinco ministros cada - ou para plenário. Também são distribuídos os cargos de relator e revisor, e só depois de concluírem seus votos é que o processo é levado a julgamento.

Outro fator que facilita a vida de Sérgio Moro são os réus confessos. Segundo números do Ministério Público Federal do Paraná, 37 dos 87 condenados por Moro são delatores, ou seja, já assumiram a culpa e podiam facilmente serem condenados.

Já no STF, os políticos normalmente caem em delações, e só depois é que começam a ser investigados pela Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal. Segundo números do STF, a PGR apresentou 16 denúncias envolvendo nomes de políticos com direito a foro privilegiado. Desses, quatro se tornaram réus: a senadora Gleisi Hoffmann (PT), os deputados Nelson Meurer (PP) e Aníbal Gomes (PMDB) e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB).