A proposta da reforma da Previdência provocou manifestações, paralisações e protestos na quarta-feira passada (15). Segundo a CUT (Central Única dos Trabalhadores), houve interrupção de atividades em diversos locais de Trabalho, atraso na entrada de turnos, assembleias e, em diversas capitais, atos públicos, paralisação nos setores de transportes, educação, bancários, trabalhadores dos Correios, saúde, metalurgia e entre outros em todo o Brasil.

Nesta terça-feira (21), após uma reunião com líderes partidários no Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer anunciou a alteração da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que trata da Reforma da Previdência.

Segundo ele, a reforma não atingirá as Previdências Estaduais (entre eles professores da rede pública e policiais civis, dentre outras categorias vinculadas aos governos dos estados). A Previdência Estadual ficarão a cargo dos governadores e deputados estaduais. A nova proposta atingiria os servidores federais e trabalhadores do setor privado.

A concessão atende as reivindicações de parlamentares da base aliada ao governo. A justificativa é que a decisão reforça o princípio federativo, ou seja, a autonomia dos Estados. Sendo assim, o projeto de reforma da Previdência, que está atualmente em discussão no Congresso Nacional, exclui os militares das Forças Armadas, bombeiros e policiais militares. Em relação aos servidores públicos federais e os trabalhadores da iniciativa privada, cujos contratos de trabalho são regidos pela CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), não há mudanças.

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Segundo Temer, vários Estados já começaram a reformular a Previdência Estadual. Para ele, a reforma da Previdência poderia ser encarada como uma invasão de competência, que não quer levar adiante. Temer afirmou que o relator da Comissão Especial da Reforma da Previdência, deputado Arthur Maia (PPS), e ao presidente da comissão, Carlos Marun (PMDB), que hoje, quarta-feira (22), transmitiriam aos membros da comissão que a reforma da Previdência se voltaria para os servidores federais.

O presidente deixou o local do pronunciamento sem comentar ou responder as perguntas. Os jornalistas indagaram se o anúncio da concessão seria uma "derrota" da sua equipe econômica, mas Michel Temer ignorou.