O senador Aécio Neves (PSDB) se livra de mais uma acusação de corrupção da Operação Lava Jato. No dia 16 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, atendendo à petição do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, arquivou o pedido de investigação de crime de corrupção passiva atribuído ao parlamentar.

O ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, em delação premiada, disse que Aécio seria o beneficiado em um esquema de corrupção com motivos eleitorais.

O crime teria ocorrido entre os anos 1998 e 2000. Sérgio Machado disse que, em 1998, Aécio Neves solicitou dinheiro para campanha da reeleição de Fernando Henrique Cardoso, e beneficiar outros 50 candidatos a deputado federal.

Outra utilização da verba seria usada para garantir a vitória de Aécio Neves nas eleições para a presidência da Câmara, em 2001.

Lei beneficia Aécio Neves

O motivo do arquivamento do pedido de investigação está nas leis que os próprios parlamentares criam. Edson Fachin justifica a decisão com base na lei que vigorava na época do fato. Em 1998, a corrupção passiva era punida com prisão de oito anos. O detalhe é que a prescrição do crime é de 16 anos, o que hoje livra Aécio Neves de uma investigação e possível punição.

A delação premiada de Machado foi realizada em maio de 2016, dois anos depois de ele ter pedido demissão da Transpetro. O objetivo dele é se livrar de uma possível prisão. O ex-parlamentar é acusado de envolvimento no escândalo da Petrobras. Como está sendo investigado pela Operação Lava Jato, resolveu delatar colegas para evitar decisões de Sérgio moro.

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Jamais saberemos a verdade

Em sua denúncia, o ex-presidente da Transpetro declarou que Aécio teria obtido sete milhões de reais. Parte do dinheiro teria origem no exterior. Machado disse ainda que o senador teria ficado com um montante desse valor. Além do senador, suas denúncias também envolvem políticos do PMDB. Mas, por causa da lei, a denúncia jamais será investigada de fato.

A verba obtida de modo irregular teria beneficiado 99 deputados do PSDB na eleição de 1998, segundo Machado. Em 2001, Aécio Neves conquistou a vitória na Câmara e presidiu a casa até 2002.