Em entrevista ao Jornal Estadão, Herman Benjamin, relator no TSE do processo da chapa Dilma-Temer, declarou que não importa se o seu voto não for o mesmo da maioria dos juízes do Tribunal. Disse que é a condição para que as 'regras do jogo sejam republicanas'. Herman disse ainda que não aceita que o argumento poderoso dos fatos, seja derrotado por fundamentos que não se sustentam. Esses argumentos são válidos apenas no jogo do poder, porque eles descaracterizam o estado de direito, disse o ministro.

Sobre as alegações finais do julgamento

No dia 22 deste mês, o juiz liberou seu relatório parcial, com quase mil páginas para o colegiado do TSE.

Ele se antecipa às alegações finais das partes, portanto é parcial. Quando estiver com as alegações finais em mãos, acrescentará algumas páginas observando as arguições. Herman Benjamim também é ministro do STJ, e espera entregar seu voto até meados de abril. Só aí o ministro Gilmar Mendes poderá marcar a data do julgamento.

Tamanho do relatório de Herman Benjamin

Questionado sobre o porque deste relatório ser tão grande, Herman respondeu que o relatório contém mais de 50 testemunhas. O mesmo tem que descrever o mínimo, para que os outros juízes se convençam. Disse ainda que os depoimentos da Odebrecht são um mapa da mina, para se chegar aos autos. Disse que a finalidade do relatório é para informar e o voto é para convencer. Ele disse que no relatório não faz um pré-julgamento.

Continuando ele declarou que não tem ideia do tamanho do seu voto.

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Entretanto não dá para decidir isso apenas com um relatório de 50 páginas. Inquirido sobre se o seu voto é para cassar a chapa Dilma-Temer, ele pediu para não se precipitarem. Ele disse que são três questões a serem observadas: a primeira é a cassação da chapa; a segunda é a separação da presidente e seu vice; e a terceira é a inelegibilidade dos dois.

Sobre a chapa Dilma-Temer

Herman Benjamin disse que para julgar isso tudo, precisa ter provas sólidas e que não é fácil. Ele também foi questionado sobre a sua preocupação com a estabilidade do país. O ministro respondeu que, o importante é saber que a felicidade do povo é diretamente proporcional ao tamanho da corrupção existente em um país. Herman citou os países escandinavos, onde o povo é feliz por causa do índice de corrupção ser a menor do mundo. Ele fez uma analogia entre os dois e disse que, considera que as práticas de corrupção no Brasil contribuem muito para a infelicidade do povo.