O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestará depoimento nesta terça-feira, dia 14, onde falará sobre as acusações de ter supostamente obstruído as investigações da chamada Operação Lava Jato. Ele será ouvido em Brasília pelo juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal da capital brasileira. O ex-presidente é um dos sete réus indiciados na ação.

Aberta em julho de 2016, a denúncia afirma que os réus tentaram intervir junto a Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, para convencê-lo a não aceitar o acordo de delação premiada proposto pelo Ministério Público.

Além de Lula, são réus na ação de suposta obstrução o ex-senador Delcídio do Amaral, cassado e atualmente sem partido; o ex-chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira; o sócio do banco BTG Pactual, André Esteves; o advogado Edson Ribeiro; o pecuarista José Carlos Bumlai e seu filho Maurício Bumlai.

O depoimento de Lula estava marcado para fevereiro deste ano, mas foi adiado após pedido da defesa de Lula, que perdeu a mulher Marisa Letícia naquele mês, após um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Além de Lula, os outros réus também serão ouvidos nesta semana. O depoimento de todos os acusados está marcado para esta sexta-feira, dia 17. A defesa do ex-presidente afirma que Lula “jamais interferiu” nas investigações e depoimentos da Operação Lava Jato.

Local do depoimento terá trânsito interditado para chegada de Lula

Segundo informações da Justiça Federal do DF veiculadas pelo portal G1, o trânsito na via W2 Norte, na Asa Norte de Brasília, será interditado entre as quadras 509 e 510 para a chegada do ex-presidente ao prédio da 10ª Vara Federal de Brasília. A estratégia é evitar manifestações contrárias ou a favor de Lula durante o depoimento.

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Justiça acusa Delcídio de oferecer plano de fuga e dinheiro para Cerveró ficar calado

A acusação de obstrução da Justiça se baseia em episódio ocorrido em novembro de 2015. Na ocasião, Delcício do Amaral era senador pelo PT e líder do governo Dilma Rousseff no senado. Ele foi preso após o filho de Cerveró ter gravado uma conversa onde Delcídio afirmava que iria interferir junto aos juízes do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso do ex-diretor da Petrobras.

Nas conversas gravadas pelo filho do ex-diretor da estatal, Delcídio oferecia um plano de fuga a Cerveró, que iria do Uruguai para a Espanha. O ex-senador também teria prometido auxílio financeiro de R$ 50 mil mensais para a família do ex-diretor da Petrobras, bem como R$ 4 milhões em honorários ao advogado Edson Ribeiro, responsável pela defesa de Cerveró, que na época estava detido pela Polícia Federal em Curitiba, capital do Paraná.

Para os investigadores, a proposta visava convencer Cerveró a não expor os nomes de políticos e empresários supostamente envolvidos em esquemas de corrupção praticados na Petrobras.

Em virtude das acusações, os sete réus envolvidos na ação são acusados dos crimes de embaraço à investigação de organização criminosa; patrocínio infiel e exploração de prestígio. Os crimes prevêem penas que vão de seis meses a 8 anos de prisão.