O juiz federal Sérgio Moro atendeu um pedido da Polícia Federal (PF) e da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Paraná e adiou o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que antes seria 03 de maio, para o dia 10 de maio. Responsável pela Operação Lava Jato, o magistrado reiterou, nesta quarta-feira (26), que serão permitidas manifestações apenas pacíficas. Não será tolerada qualquer ação de violência contra as autoridades. "Os manifestantes violentos serão responsabilizados", avisou Moro.

Lula terá que dar explicações sobre um esquema criminoso, onde ele é acusado de receber propina da Construtora OAS, por intermédio do ex-presidente Léo Pinheiro.

A propina foi utilizada para a reforma de um triplex, no litoral de São Paulo. O valor é cerca de R$ 3,7 milhões.

Moro se mostrou indignado com avisos de manifestações violentas e convocou a polícia para apurar responsabilidades nesses atos.

Tempo adicional

Tanto a Secretaria de Segurança Pública quanto a Polícia Federal pediram um "tempo adicional" para montar todo o esquema de segurança. Essa preocupação ocorre após divulgações, em redes sociais, de grande aglomeração de pessoas em volta do prédio da Justiça Federal do Paraná, bem no local onde fica o juiz Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato.

O magistrado comentou que essa segurança é necessária pois, da mesma forma que existem muitas pessoas a favor do ex-presidente Lula, tem outras que são contras e pode ocasionar brigas e confusões.

"Aceitaremos manifestações pacíficas",. disse o juiz.

O juiz também já decidiu que irá autorizar a entrada no prédio apenas de membros do Ministério Público Federal, dos advogados do assistente de acusação, do acusado, da defesa de Lula e dos defensores dos demais acusados."Não abriremos nenhuma exceção", ressaltou o magistrado.

Petistas

O PT decidiu transformar a audiência do ex-presidente frente a frente com Moro em um evento. Dirigentes do partido já combinaram que irão juntos com Lula para Curitiba.

O partido está avisando simpatizantes e militantes para comparecerem "em peso" no dia da audiência. O interlocutor Gilberto Carvalho está intermediando o contato com os movimentos sociais. Alguns petistas estão revoltados com Moro por ele ter adiado o depoimento, pois tudo já estava preparado para o dia 03 de maio. Um deles chegou a dizer em tom de ironia: "É como se fôssemos em uma festa de casamento, onde você organiza todos os detalhes e de repente a data muda".