O repórter Anderson Cooper, do programa "60 minutes", da TV norte-americana CBS, veio ao Brasil entrevistar o juiz federal Sérgio Moro, procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato e a ex-presidente Dilma Roussef. Exibido no domingo (21), o programa contou detalhes sobre a maior Operação de combate à corrupção no Brasil, a Lava Jato.

Ao compararem a investigação do Brasil com a Watergate, que envolveu o presidente Nixon, Moro afirmou que a brasileira é muito maior pelo número de pessoas que estão envolvidas e pela enorme quantia de dinheiro nos crimes.

Moro deixou claro que nenhum réu seria julgado por algum tipo de opinião política.

Todos teriam os direitos de defesa. Questionado sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizer que é vítima de perseguição política, o magistrado negou todas as acusações. "O ex-presidente terá todas as oportunidades que a Lei dá para apresentar sua defesa", disse Moro.

O juiz paranaense aproveitou a oportunidade para fazer duras críticas ao Congresso brasileiro. Moro ressaltou que sempre existem tentativas de criarem leis para beneficiarem o interesse dos mais poderosos e não podemos deixar que isso aconteça.

Enfrentar os problemas

O juiz disse que a responsabilidade dele e dos investigadores da Lava Jato é não permitir manobras que evitem a condenação dos criminosos. Como um recado ao povo, Moro disse que é de grande importância encarar todos esses desafios para melhorar o País.

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E o povo precisa estar junto com a Justiça. A Lava Jato só não teve fim devido à manifestação das pessoas.

Na conversa com o repórter, entrou o assunto da primeira delação da Lava Jato. O depoimento do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, proporcionou a chance de expandir as investigações e depois disso não teve como voltar mais atrás. Moro comentou que foi necessário pedir a prisão preventiva de suspeitos antes mesmo do final dos julgamentos para interromper a difusão da corrupção no Brasil.

Temer e Dilma

O programa "60 Minutes" citou as últimas denúncias que envolveram o presidente Michel Temer, alvo da delação do empresário Joesley Batista, dono do frigorífico JBS. Segundo o programa, esse episódio fez com que Temer fosse ameaçado por um impeachment, já que o mercado de ações mergulhou com todo esse caos político.

A ex-presidente Dilma Rousseff também foi entrevistada e apenas revelou que não sabia de nada do que estava acontecendo na Petrobras. Ela negou ter recebido propina e disse desconhecer qualquer conta no exterior com seu nome.