Dizem as más línguas que é difícil algo surpreender no Brasil em termos de política, pois parece que realmente as más línguas estão corretas. Em reunião nesta segunda-feira, 8, o presidente Temer determinou que seus ministros deem privilégios a emendas de mais de 300 parlamentares para que votem a favor da reforma da Previdência.

A ideia de Temer é pagar agora pelas emendas, que são recursos utilizados pelos parlamentares para bancar obras e projetos em suas bases eleitorais, a fim de reduzir a resistência do Congresso na votação.

A liberação das verbas tem um prazo aproximado de três semanas.

É uma via de mão dupla, pois ao mesmo tempo em que "compra" o apoio dos Congressistas, os mesmos conseguem alívio em suas bases eleitorais para compensar o impacto negativo que terão em suas imagens devido ao voto a favor da reforma.

Traidores

É evidente que aqueles que traíram o governo em votações anteriores, assim como os parlamentares da oposição, serão preteridos na liberação de verbas e, portanto, apenas terão suas distribuições ao final do ano.

Desde 2015 o governo é obrigado a liberar as emendas até o final do ano, porém, o ritmo de liberações é variável e muitas vezes depende exatamente da "lealdade" de cada congressista para com as votações que interessam ao governo.

Não temos dinheiro

Embora venha alegando sucessivamente que "não há dinheiro", o governo surpreende ao fazer generosa liberação antecipada que, segundo estimativas, teria valores que giram próximos a casa dos 2 bilhões de reais, o que garantiria uma média de cerca de 6 milhões para cada "aliado".

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Michel Temer

Inclusive o presidente já teria escalado os ministros Ricardo Barros (Saúde), Helder Barbalho (Integração) e Bruno Araújo (Cidades) para que façam um levantamento ainda mais preciso das emendas a serem pagas. Diga-se de passagem, os ministérios dos três ministros se encontram entre as pastas que seguramente mais recebem demandas de parlamentares.

Ainda esta semana existe a intenção de se veicular peças publicitárias em todos os meios de comunicação para combater a rejeição à Reforma da Previdência entre a população comum.

Haverá também uma intensificação na agenda presidencial em relação a entrevistas em programas de rádio e TV regionais. Parece, além de uma forma de suavizar as reformas diante da população, uma maneira de lembrar os congressistas que os mesmos tem um "dever" para com a votação?

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