O coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal na Lava Jato, procurador, Deltan Dallagnol, comentou, nesta sexta-feira (30), perceber uma articulação da sociedade para criar novas medidas de combate à Corrupção, após o Congresso não valorizar o projeto de Lei das Dez Medidas contra a Corrupção. Segundo Dallagnol, alguma coisa tem que ser feito: se o Congresso não apoiar esse projeto, o povo deve mudar quem está lá.

O projeto entrou em votação no mês de novembro do ano passado, um dia depois da tragédia com a queda do avião dos jogadores da Chapecoense. Na ocasião, os parlamentares alteraram o projeto, esvaziando as propostas e substituindo por outras que acabam freando as investigações da operação.

Diante de tudo isso, Dallagnol revelou que teve vontade de desistir. Ele ficou frustrado com tantas investidas de poderosos contra a Justiça e se sentiu mal com isso. A impressão que se tem é que o povo, mesmo com sua força, não conseguiu vencer.

Mas, o procurador da República afirmou ter levantado a cabeça e decidiu não deixar a derrota prevalecer em seus anseios e resolveu continuar em frente, buscando outras alternativas. O procurador frisou que se o Congresso não vai aceitar a proposta das Dez Medidas contra a Corrupção, o jeito é mudar quem decide as coisas por lá.

Receio

Deltan Dallagnol admitiu que tem um leve receio da ineficiência do sistema jurídico criminal porque, segundo sua visão, o sistema de Justiça criminal é disfuncional em relação ao crime das pessoas que tem o poder nas mãos.

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O coordenador da força-tarefa da Lava Jato ressaltou que a operação não é feita de heróis, pois ninguém pode salvar nada, apenas o povo é que pode se salvar.

Para Dallagnol, a Lava Jato só dará certo se as condições que incentivam a podridão dos crimes forem combatidas com muita determinação.

Perseguição

De acordo com o procurador, existe, hoje uma guerra de comunicação para tentarem destruir a Lava Jato. O objetivo dos poderosos é tirar a legitimidade das ações de combate à corrupção, diz ele.

Uma das críticas feitas por Dallagnol é a forma como alguns políticos se colocam como vítimas e dizem ser perseguidos pela Justiça. Ele citou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente Michel Temer e o ex-deputado Eduardo Cunha. Os três usam a mesma estratégia ao afirmarem que são perseguidos.

Isto ocorre quando eles estão encrencados e possuem poucas saídas. O discurso da perseguição política é um dos principais recursos utilizado por eles.