O depoimento prestado pelo ex-deputado federal do PMDB do Rio de Janeiro e ex-presidente da Câmara dos Deputados #Eduardo Cunha, concedido nesta quarta-feira (14) aos investigadores da Polícia Federal, levantou "polêmica" e um certo "alívio" no Palácio do Planalto. De acordo com a assessoria do presidente da República #Michel Temer, ele teria feito a análise de que o depoimento do ex-parlamentar que encontra-se preso em Curitiba, no âmbito da Operação Lava Jato, serviu para fazer um contraponto às afirmações da Procuradoria-Geral da República, que é conduzida pelo procurador #Rodrigo Janot.

Ainda segundo auxiliares do presidente da República, as palavras de Cunha de que "seu silêncio nunca esteve à venda" e o conteúdo do depoimento em geral, provavelmente enfraquecem em muito a denúncia que deverá ser apresentada pelo procurador-geral da República contra Michel Temer.

O presidente do país é alvo no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a acusação de prática de crimes de organização criminosa, corrupção passiva e obstrução de justiça.

'Denúncia enfraquecida'

Auxiliares e assessores de Michel Temer viram um novo componente na crise política enfrentada pelo Palácio do Planalto, porém desta vez, como algo positivo: o enfraquecimento da denúncia a ser feita por Rodrigo Janot. O deputado Eduardo Cunha negou em depoimento que tivesse sido procurado para que seu "silêncio" fosse comprado, de acordo com o advogado do deputado cassado Rodrigo Sanchez Rios.

Ainda segundo o defensor, Cunha nunca teria tido a intenção de implementar negociações para que pudesse concretizar um acordo de colaboração premiada. Já em se tratando de uma questão "chave", principalmente para os interesses do Palácio do Planalto, o ex-deputado ao ser questionado sobre "relação de pagamentos para ele (Cunha)", foi enfático em dizer que o empresário Joesley Batista, dono de uma das maiores empresas no comércio de carnes processadas do mundo, mentiu.

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Um dos assessores do presidente Michel Temer, foi emblemático ao considerar que o depoimento de Eduardo Cunha não forneceu "munição" a mais para Procuradoria-Geral da República. O mesmo auxiliar foi ainda contundente ao afirmar que a gravação entre Temer e Joesley "está sob xeque, porém, deve-se esperar o resultado do trabalho da perícia". Um outro auxiliar do presidente Temer acredita que a fala de Eduardo Cunha acaba prejudicando a denúncia relativa à acusação de obstrução de justiça contra o mandatário do país.

Outro fator preponderante em relação às acusações, é que o desmembramento dos inquéritos que envolvem Michel Temer e Aécio Neves, e o ex-assessor Rodrigo Rocha Loures, também pode enfraquecer a denúncia da PGR. A separação de inquéritos foi determinada pelo ministro-relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Edson Fachin.