O presidente Michel Temer estaria tentando barrar uma possível derrocada de deputados dissidentes do PSB para o Democratas. São cerca de 10 parlamentares, segundo a líder do PSB na Câmara dos Deputados, Tereza Cristina (MS), que apoiam o governo e as reformas propostas por Michel Temer.

A aliança dos parlamentares com o presidente causou uma certa tensão dentro do partido, que é opositor do Planalto. Segundo Tereza, há negociações em andamento sobre a ida para outros partidos e Temer sabe que eles estão em negociações com o PSB. A possibilidade da saída, contudo, é real. Ela afirmou que, além do Democratas, eles estão conversando com o PMDB, que havia feito uma oferta ao grupo.

Reação dos evangélicos

Depois de tomar conhecimento de que Temer está tentando acabar com os planos dos integrantes do DEM de fazer o partido crescer puxando os dissidentes do PSB, o deputado Sóstenes Cavalcante, que é amigo e principal aliado do pastor Silas Malafaia no Congresso Nacional, fez uma ameaça ao presidente de que, caso ele obstruísse a ida de parlamentares para o Democratas, passaria a articular entre os evangélicos contra Michel Temer.

Segundo o colunista do jornal "O Globo", Lauro Jardim, Sóstenes teria dito que caso fosse verdade que Michel Temer esteja atuando contra o Democratas, ele iria votar contra o presidente e usar toda sua influência sob a Bancada Evangélica para colocá-los contra o Planalto.

Influência em xeque

Essa reação de Sóstenes pode, no entanto, não ter muito efeito na prática, já que a bancada evangélica é extremamente dividida e Sóstenes e Malafaia não têm tanta influência assim sobre os integrantes dessa base religiosa.

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Aliás, pelo contrário: mesmo que haja uma inclinação religiosa para uma ação política de unidade religiosa, a maioria dos deputados evangélicos costumam ser seduzidos por Temer, mesmo tendo uma certa fama entre os religiosos de ser "satanista", título que nega até hoje.

O presidente do PMDB no Senado, Romero Jucá (RR), negou pelo Twitter que o partido esteja trabalhando para barrar a ida de parlamentares para o DEM. Ele ponderou que o PMDB não atua para barrar filiações de parlamentares com o DEM, tendo em vista que o partido é aliado do planalto, e disse que tudo não passava de uma intriga. Para Jucá, a informação é uma tentativa de fragmentar a base aliada do presidente. No entanto, isso já está ocorrendo há vários dias em decorrência do desgaste político de Temer.