Nesta quarta-feira (19), uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo publicou a informação de que o presidente da República Michel Temer não poderá mais ser gravado, pelo menos nas dependências particulares da presidência da República. O departamento de segurança, ou seja, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) autorizou que fosse instalado um dispositivo que impedisse gravações de vozes no interior dos ambientes.

Um misturador de vozes como é conhecido, o equipamento dificulta toda e qualquer compreensão de áudios captados por aparelhos eletrônicos. O aparato que emite sinais sonoros não alcançados pelos ouvidos humanos, já vem sendo testado há três semanas no gabinete de Temer.

Segundo os especialistas não existe possibilidade de falha do instrumento.

Na verdade, os inibidores sonoros interferem na gravação do som que figura no ambiente e sobrepõem ao áudio de conversas que eventualmente estejam sendo gravadas. Todavia, ainda segundo a reportagem, Temer pretende providenciar a instalação do dispositivo em todos os gabinetes ministeriais e no Palácio do Jaburu, onde reside atualmente, a proposta terá a mesma finalidade de seu gabinete, ou seja, não permitir que áudios clandestinos sejam gravados nos ambientes.

A conduta será necessária para 'manter a ordem e a tranquilidade do Presidente' ao tratar de assuntos restritos com a equipe de governo, divulgaram. A medida resguardará o presidente Temer de qualquer incidente relacionado a 'grampo', como ocorreu recentemente com o diretor da JBS, Joesley Batista.

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O empresário da JBS resolveu gravar vários áudios e acionou o Ministério Público Federal (MPF) para delatar Temer. O Procurador-Geral da República (PGR), Rodrigo Janot, esboçou a denúncia e ofereceu ao Supremo Tribunal Federal (STF), com a finalidade da abertura de inquérito em desfavor de Michel Temer, pelo crime de Corrupção passiva.

A respeito da denúncia, o presidente da República aguarda o próximo mês [VIDEO] para participar da deliberação do Senado Federal que provavelmente será informado da abertura do inquérito ou do arquivamento das acusações, a decisão somente será publicada após a votação no plenário da Casa.

Em matéria de segurança, até o momento o aparato se tornou o principal artificio de segurança instalado na presidência. No mês de maio, o presidente Michel Temer foi pego de surpresa com um telefonema amparado pela criptografia.

A nova tecnologia permite um meio de comunicação, ou seja, um telefone seguro (TSG) com a oferta da criptografia na comunicação telefônica, além do não reconhecimento de voz, tampouco de dados.

Quando falamos de ligações entre dois aparelhos com o mesmo serviço, há possibilidade de interceptação, porém sem acompanhamento legível do diálogo. [VIDEO] No entanto, se por ventura um dos aparelhos não estiver amparado pela criptografia, não haverá nenhuma segurança.

Antes do fechamento da reportagem, o jornal ressaltou que tentou contato com os responsáveis para maiores esclarecimentos e o grupo GSI, até o momento, não demonstrou interesse em se manifestar.