O ex-presidente da Câmara dos Deputados pelo PMDB do estado do Rio de Janeiro, Eduardo Cunha, que se encontra preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, no Paraná, decidiu encampar novas estratégias com base em seu acordo de colaboração premiada que segue, todavia, sem um desfecho. O ex-deputado fluminense está implementando, através de sua defesa, uma análise aprofundada, se seria adequado tomar um decisão precisa em iniciar tratativas após a posse da nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, em se tratando de conseguir selar um acordo de delação premiada, juntamente à instituição federal.

Ate o presente momento, as negociações entre os defensores do ex-deputado Eduardo Cunha e a Procuradoria, sob o comando de Rodrigo Janot, estão praticamente encerradas.

Em meados do período do mês de setembro, mais precisamente, a partir do dia 18 do próximo mês, Raquel Dodge assumirá o comando da Procuradoria Geral da República em substituição a Rodrigo Janot, que terá seu mandato encerrado como chefe do Ministério Público Federal.

Estratégia de Eduardo Cunha

Embora a estratégia principal do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha seja aguardar a nomeação de Raquel Dodge como nova procuradora-geral da República e assim poder alavancar o seu acordo de colaboração premiada, que segue ainda em ritmo de "espera", não será nada fácil para ele conseguir lográ-lo. Um dos principais motivos que podem dificultar, de modo exponencial, o avanço das tratativas é a negativa por parte da futura procuradora-geral Raquel Dodge em querer implementar negociações com o ex-deputado carioca.

Entretanto, nem tudo poderão ser "flores" para Cunha, pois, a futura procuradora-geral e sua equipe têm demonstrado que não possuem a menor pretensão de iniciar as negociações para que se possa chegar a um acordo de colaboração premiada com o ex-parlamentar. Nos bastidores da Procuradoria Geral da República, os integrantes do Ministério Público Federal veem o ex-deputado como alguém considerado pouquíssimo confiável para que se possa dar início na implementação das tratativas.

Um outro fator que deve-se levar em consideração é que a nova equipe da futura procuradora-geral Raquel Dodge pretende se tornar muito mais seletiva do que a equipe do atual procurador Rodrigo Janot.

A intenção é que os futuros integrantes da PGR sejam muito mais rigorosos na utilização de acordo de colaboração premiada. Pesa ainda contra o ex-deputado Eduardo Cunha, durante as tentativas para se firmar um acordo de delação, algumas ausências de grandes nomes da política nacional e, inclusive, com a presença de outros delatores, que Cunha teria o suposto propósito de "acertar" as contas, o que acabou deixando os procuradores intrigados.

Por essa razão, teria sido cobrada de Cunha uma segunda proposta de delação a ser apresentada, que esteja à altura do prometido por ele, sem que haja resquícios de agir por "vingança".