Sempre comedido e inconclusivo em suas entrevistas, Geraldo Alckmin fugiu do seu próprio estilo no último final de semana, em evento em Florianópolis, em Santa Catarina. Ao projetar as eleições presidenciais de 2018, ele se lançou como um possível candidato e chegou a dizer que gostaria de fazer um "tira-teima" com Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula.

A fala faz referência à primeira e única disputa que os dois travaram. No ano de 2006, Lula [VIDEO] foi o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) na tentativa de permanecer por mais quatro anos, já que havia vencido o tucano José Serra, em 2002.

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Contra Geraldo Alckmin, o líder petista acabou vencendo no segundo turno e dirigiu o país até janeiro de 2010.

"Não seria ruim fazer um tira-teima contra o Lula em 2018", resumiu Alckmin, praticamente cravando, portanto, o seu desejo de ser o candidato do PSDB ao Palácio do Planalto.

Lula, em mais de uma ocasião, já admitiu que tem a vontade de fazer um terceiro mandato como presidente da República. Entretanto, a Justiça pode ser o seu grande obstáculo. Ele já foi condenado a 9 anos e 6 meses de prisão por corrupção passiva a partir de investigação da Operação Lava-Jato, e o processo corre para o TRF-4, que impedirá Lula de concorrer se manter ou até aumentar a pena até a data das eleições.

Alckmin, por outro lado, evitou pregar um discurso incisivo e forte ao projetar o novo ano. Ainda que tenha citado o seu desejo de realizar um "tira-teima" com Lula, ele lembrou a política deve representar um espaço de diálogo e de ideias plurais.

"Vejo aqui (em Santa Catarina) a civilidade que a política sempre deve procurar ter. Política não é espaço para a prática do boxe", destacou o governador paulista, em alusão ao esporte em que dois adversários se enfrentam e tentam se acertar com socos.

E a relação com João Doria?

Em evidência pelas ações que tem desempenhado na prefeitura de São Paulo, João Doria [VIDEO] ganhou força nos bastidores para se tornar uma alternativa em 2018. Como o seu grande padrinho político é Geraldo Alckmin e os dois pertencem ao mesmo partido, o PSDB, um impasse foi imediatamente criado.

Internamente, há o entendimento de que Doria não deveria concorrer contra Alckmin, até pela importância do governador na campanha do tucano para a prefeitura de São Paulo em 2016. Para evitar mais rumores e informações desencontradas, Doria gravou um vídeo na noite de domingo ao lado do próprio governador.

Na gravação, ele reafirma sua "lealdade" e "amizade" com Geraldo Alckmin, mais uma vez dando a entender que não tem o menor interesse em enfrentá-lo nas urnas daqui a um ano. O prefeito ainda comentou que boatos "infundados" foram criados para rotular a relação dos dois.

Na linha dos elogios mútuos, Alckmin também fez um afago do afiliado político. "O João é meu amigo desde os tempos do ex-governador Mário Covas", colocou.

O crescimento da perspectiva de que João Doria poderia se tornar candidato surgiu após suas últimas agendas. Ainda que seja prefeito de São Paulo, o tucano montou um roteiro de viagens pelo país, que tem sido entendido como um trampolim para que ele se "nacionalize". Na semana passada, ele esteve em evento em Salvador, onde um militante de esquerda o atingiu com um ovo. Nesta semana, Doria foi ao Tocantins.

Desde o ano de 2002, PSDB e PT se enfrentam sempre em segundo turno nas urnas brasileiras. Nas duas primeiras vezes, Lula venceu José Serra e depois Geraldo Alckmin. Serra voltou a tentar em 2010 e perdeu para Dilma Rousseff, que voltaria a ganhar em segundo turno quatro anos depois, dessa vez sobre o senador Aécio Neves, que saiu de cena para 2018 por conta do envolvimento nas delações dos empresários da J&F.