O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela décima terceira Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba, no estado do Paraná, se manifestou, de modo incisivo em relação a um processo que envolve o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. Moro é o juiz titular da Operação Lava Jato, que é considerada a maior operação de combate à corrupção na história contemporânea do país e que apura desvios bilionários que culminaram na sangria dos cofres públicos da maior estatal do país; a Petrobras.

Lula é investigado em processo, em se tratando de supostas vantagens que foram destinadas ao ex-presidente Lula, cujos recursos foram prevenientes da empreiteira Odebrecht por meio de contratos fraudulentos, através de favorecimentos juntamente à Petrobras.

Decisão 'polêmica'

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou com uma solicitação ao juiz Sérgio Moro, para que o magistrado pudesse adiar o julgamento agendado por meio de audiência na data de 13 de setembro em Curitiba. Entretanto, nesta sexta-feira, o juiz Sérgio Moro rejeitou o pedido da defesa do ex-mandatário do país. Essa ação penal impetrada pelo Ministério Público Federal se refere a um terreno adquirido pela construtora Odebrecht para o Instituto Lula. O ex-presidente teria sido beneficiado na compra desse terreno, destinado para o seu Instituto.

De acordo com o pedido da defesa de Lula para a suspensão do depoimento do ex-presidente, há alegação de que não teria tido tempo hábil ou mesmo a documentos que foram anexados na ação penal, já que seriam fundamentais, segundo os advogados, para que defesa possa estar apto a fazer as inquirições de testemunhas que já foram ouvidas previamente.

A defesa argumentou ainda que a inclusão considerada tardia de documentos relativo à ação penal, comprometeria as 34 audiências e aproximadamente 97 depoimentos de testemunhas que haviam sido concretizados em uma data anterior.

Porém, o juiz Sérgio Moro preferiu em sua decisão, que haveriam outros procedimentos considerados legais para que a defesa de Lula tivesse disponibilizado o acesso necessário aos documentos e por essa razão, o magistrado se manifestou ,de modo que indeferisse a tentativa de suspensão dos depoimentos já agendados, inclusive do próprio ex-presidente Lula. A ação penal impetrada, além de Lula, que se tornou réu, possui ainda mais sete acusados sob a mesma condição como réus. Dentre eles, estão o empreiteiro Marcelo Odebrecht, dono da maior empreiteira do país e o ex-ministro da Fazenda, o petista Antônio Palocci.