O Estado do Amazonas fará hoje a escolha entre dois pesos pesados da política local: de um lado, o ex-governador Amazonino Mendes (PDT) e do outro, o também ex-governador, Eduardo Braga (PMDB). Amazonino foi governador do Estado pela primeira vez no período de 1987 a 1990 e Educador Braga em 2002, sendo reeleito em 2006. Para a maioria dos analistas, ambos pertencem ao mesmo grupo político. No entanto, hoje ocorre a decisão sobre quem vai governar o Amazonas até dezembro de 2018.

A eleição para governador do Amazonas acontece em 2017 devido a decisão, inédita, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de cassar, por 5 votos a 2, os mandatos do hoje ex-governador José Melo e de seu vice, Henrique Oliveira, por compra de votos nas eleições de 2014.

Na ocasião, Melo foi reeleito em segundo turno com 55,5% dos votos. De acordo com as investigações, uma assessora de Melo desviou recursos de um contrato de sua empresa de segurança com o Governo do Amazonas para comprar votos de evangélicos.

O primeiro turno da eleição suplementar para governador e vice do Estado do Amazonas foi marcado por uma avalanche de abstenções e votos nulos, num claro recado de descontentamento do eleitor com a política pratica pelos políticos atuais. Hoje, no segundo turno, as abstenções e votos nulos vão superar todas as projeções, tanto que os dois candidatos reservaram tempo em suas propagandas de rádio e TV para pedir ao eleitor que não anule o voto. Em meio à desilusão, doses de desânimo e descrença com os políticos atuais, a população amazonense deseja um governo democrático, legítimo e livre de corrupção.

A apatia de grande parte do eleitorado do Amazonas com o pleito suplementar reflete um sentimento em comum do cidadão brasileiro: a tolerância do eleitor vem se esgotando com a mesma velocidade dos escândalos e mordomias que caracterizam a atuação da classe política. Em meio às denúncias de corrupção, várias atividades ficaram paradas no Estado do Amazonas, principalmente no campo da segurança pública, saúde e educação, aumentando a insatisfação e a revolta da população. Como tudo isso, como exigir do eleitor que não vote em branco ou nulo?

O que se espera da população é o voto consciente e ético [VIDEO]. Um eleitor que se guie por esses parâmetros terá mais chances de levar adiante o acompanhamento e a vigilância daquele que elege e de descobrir caminhos democráticos de participação ativa para acionar a lei e realizar mudanças. Nesse quadro desolador e profundamente desanimador, espera-se do “novo” governador que ele cumpra com suas promessas de campanhas e que não elabore planos e profira discursos recheados de eloquências, mas vazios de conteúdos, esquecendo-se daqueles para os quais o Estado existe.

Enfim, espera-se que o “novo” governador do Amazonas não se deslumbre com a conquista do poder, pois este é efêmero, e que não pratique o exercício do contorcionismo vergonhoso para conservá-lo a qualquer custo, desprezando a ética e a lisura nos serviços públicos, posição que deve ser defendida com eficiência e respeito pelo cidadão amazonense. E viva o Amazonas! E viva a democracia!