A apenas alguns dias atrás gilmar mendes, o presidente do STF acatou em tempo recorde uma liminar dos advogados do ex-presidente do Detro - Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro - Rogério Onofre. O empresário é acusado de ter recebido quase 50 milhões em propina por uma ramificação da Operação Lava Jato. Poucas horas depois, o juiz Bretas ordenou que o empresário voltasse para a cadeia, dessa vez por outras razões. Mais uma vez em tempo recorde Gilmar Mendes ordenou a soltura do empresário.

O caso gerou muita polêmica na mídia e no meio jurídico por causa das ações rápidas do ministro do STF [VIDEO], que costuma levar mais de 20 dias para decidir sobre casos semelhantes, e dessa vez agiu em pouco mais de 24h por 2 vezes.

Gilmar foi criticado também porque estavam preenchidas as condições necessárias para que fosse efetuada a prisão preventiva do empresário - risco de fugir do país (o MPF especula que ele teria tentado fugir do Brasil pouco antes da prisão ter sido decretada), risco de destruir provas, entre outras.

E acima de tudo Gilmar foi acusado de agir sem imparcialidade, visto que é padrinho de casamento do empresário e poucos dias atrás teria trocado mensagens com o mesmo. Isso inclusive levou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a pedir a suspensão da liminar concedida por Gilmar Mendes e que ele seja declarado suspeito para julgar o caso. O ministro do STF fez uma declaração para veículos de mídia informando que não é amigo pessoal do empresário e que ser padrinho de casamento não o impede de julgar o caso.

O plenário do STF ainda não se manifestou.

Apesar das decisões polêmicas, Rogério Onofre não foi autorizado a circular livremente. Ele deveria entregar seu passaporte e não poderia sair de casa a noite ou nos finais de semana. Apesar disso ele não foi forçado a usar tornozeleira eletrônica, o que impedia qualquer tipo de controle sobre a localização do acusado.

Ontem, dia 24, mais uma vez o juiz Marcelo Bretas recebeu um pedido do MPF para prender Onofre, dessa vez por um motivo ainda mais grave: ameaça de morte a outros empresários, que estariam ensaiando delações premiadas contra Onofre. O MPF apresentou um áudio em que Onofre afirma que pode matar os ex-colegas a qualquer hora, que sabe o paradeiro dos seus familiares e que há pessoas seguindo-os sob ordens de Onofre já há muito tempo.

Bretas emitiu o pedido de prisão, que seria cumprido pela Polícia Federal. Mas a PF não encontrou o ex presidente do Detro-RJ em sua casa, onde deveria estar obrigatoriamente após as 18h. Desde então ele é considerado foragido da Justiça.

A defesa de Onofre se pronunciou dizendo não saber a localização do seu cliente mas que o mesmo não fugiu, apenas saiu da sua casa porque se considerava ameaçado, mas pretendia se entregar no dia seguinte. A defesa não explicou de onde vinham as ameaças ou porque o empresário não procurou ajuda da polícia. Também não está claro há quanto tempo Rogério Onofre não aparece em casa.

Agora, com a aparente fuga, Gilmar Mendes está sendo duramente criticado. O Jornal Nacional, da Rede Globo, dedicou mais de 5 minutos para falar sobre o caso. Quase todos os portais de notícia também estão noticiando o caso com grande ênfase nas consequências das ações de Gilmar Mendes. Na internet, as pessoas vão além. Muitos internautas acusam o ministro do STF [VIDEO] de ter facilitado indiretamente a fuga do empresário foragido por causa dos laços de amizade. Outros extrapolam, especulando que ele poderia ter informações que poderiam atingir o próprio Gilmar Mendes.

Confira a reportagem do Jornal Nacional abaixo: