A ex-ministra da Justiça da Alemanha e jurista, Herta Däubler-Gmelin, esteve em São Paulo na última semana, para participar de uma série de conferências. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, a jurista não poupou críticas ao nosso judiciário e fez comparações entre o que ocorre no Brasil e o que ocorre na Alemanha, quando o assunto é Justiça.

A primeira crítica que a ex-ministra da Justiça da Alemanha fez foi sobre a postura de alguns juízes que gostam de vir a público para opinar sobre questões políticas. Segundo ela, eles não deveriam se pronunciar, e que na Alemanha, se um juiz opinar sobre um caso que ele está trabalhando ou trabalhará, é automaticamente excluído do processo.

Na Alemanha, Temer já teria saído

Outra comparação feita entre os procedimentos adotados no Brasil e na Alemanha, foi sobre o caso da denúncia contra o presidente Michel Temer [VIDEO]. Em poucas palavras ela cravou que se a mesma situação ocorresse em seu País, provocaria a renúncia [VIDEO] imediata do presidente. Para sustentar o seu argumento, ele citou o caso do ex-presidente alemão, Christian Wulff, que renunciou em 2012, após ser acusado de corrupção e tráfico de influência

Ministros do STF

Ao ser questionada sobre a atitude de alguns ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) que quando procurados pela imprensa, dão opiniões sobre diversos casos, Herta foi dura na resposta e afirmou que isso não é permitido na Alemanha e que outros juízes deveriam vir a público e criticar colegas que agem dessa maneira.

Críticas à imprensa

Herta também afirmou que a imprensa brasileira deveria criticar a atitude de juízes que agem assim e mostrar à população que isso não está correto.

Outra crítica direcionada à imprensa brasileira, foi dada quando ela comentava a situação da Polônia, onde segundo ela, a mídia apoia Governo, ao contrário da mídia brasileira.

Dúvidas sobre a Justiça Brasileira

Herta afirmou existem diversos procedimentos da Justiça incorretos em diversos locais pelo planeta. No caso do Brasil, ela afirmou ter dúvidas se o País não deveria estar no grupo dos países que cometem infrações no seu sistema judiciário.

As declarações da ex-ministra da Justiça da Alemanha têm um peso enorme, pois ninguém poderá acusa-la de ser do partido A ou B (algo muito comum nos últimos tempos aqui no Brasil) e também pelo fato de sua integridade ser mundialmente reconhecida, o que torna suas críticas ainda mais poderosas.