Ex-procuradora geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz afirmou nesta quarta-feira, dia 23, que a empreteira Odebrecht realizou um esquema de corrupção no país que beneficiou funcionários de alto escalão do governo, incluindo o presidente Nicolás Maduro. A declaração da ex-procuradora geral foi feita durante uma reunião de representantes do Mercosul e autoridades realizada em Brasília. A ex-procudora geral da Venezuela veio da Colômbia, onde deve receber asilo político, para o Brasil a convite da Procuradoria-Geral da República brasileira.

A entrevista concedida por Ortega Díaz foi realizada ao lado de Rodrigo Janot, procurador-geral do Brasil. As informações são do portal UOL e da edição brasileira do jornal El País.

Em suas declarações, Luisa Ortega Díaz afirmou ter “muitas provas” que envolvem funcionários públicos e agentes do governo, incluindo também membros da recém criada assembleia constituinte. A ex-procuradora geral deixou o cargo em março deste ano, justamente após a criação da polêmica assembleia que gerou críticas da oposição e intensificou ainda mais a já frágil relação entre o governo de Maduro e a oposição.

Ainda em sua fala, Ortega Díaz disse que irá apresentar as provas que possuí para países como Estados Unidos, Espanha, Colômbia e Brasil.

Ortega Díaz diz que provas enviadas ao país serão destruídas pelo governo de Maduro

Envolvida em uma enorme série de escândalos nacionais e internacionais desde o início das investigações da chamada Operação Lava Jato, a Odebrecht emitiu uma nota onde afirmou “estar colaborando com a Justiça” no Brasil e nos outros países onde atua.

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Lava Jato

A empresa afirmou ter “reconhecido seus erros” e disse estar “comprometida a combater e não tolerar a corrupção”.

Também em seu discurso, Ortega Díaz instruiu agentes públicos internacionais a não enviarem provas de esquemas de corrupção praticados na Venezuela para o governo do país pois os mesmos serão destruídos. Em duras críticas ao regime de Maduro, a ex-procuradora geral disse que seu país não possuí mais “garantia de justiça”, afirmando ainda que o país está vivenciando “a morte do direito”.

Indagada sobre as recentes declarações do presidente norte-americano Donald Trump, que afirmou considerar a possibilidade de realizar uma intervenção não-pacífica na Venezuela, Ortega Díaz disse ser contra a medida, declarando não desejar que nada de mal aconteça ao povo de seu país, e que um evento deste porte poderia trazer consequências traumáticas para a população.

Ex-chavista, Ortega Díaz e seu marido têm pedidos de prisão decretados na Venezuela

Exilada na Colômbia, a ex-procuradora geral e seu marido, o deputado Germán Ferrer, tiveram suas prisões pedidas por Nicolás Maduro, que chegou a encaminhar um pedido de detenção internacional à Interpol.

Antes apoiadores do falecido ex-presidente Hugo Chavez, o casal se tornou opositor de Maduro, a quem ela acusa de ter recebido propina e benefícios provenientes de esquemas de corrupção.

De acordo com a ex-procuradora geral, a Odebrecht teria investigado quase 100 milhões de dólares em propinas para membros do governo e agentes públicos da Venezuela em troca de contratos para a realização de serviços públicos no país.

Antes responsável pelas investivações do esquema, Ortega Díaz deixou o cargo no último dia 5 de agosto, quando Maduro alegou que ela havia cometido “atos imorais”.

Ainda nas palavras de Ortega Díaz, Maduro e seus apoiadores estão “preocupados e angustiados” pois as informações que ela possui podem confirmar que “pessoas ficaram ricas” no esquema envolvendo a empreteira brasileira e o governo venezuelano.

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