Nesta terça-feira (15), a Segunda Turma do Superior Tribunal Federal (STF) [VIDEO] retirou do juiz federal Sergio Moro, baseado em Curitiba, as menções feitas pelos delatores da JBS ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ex-ministro Guido Mantega.

A decisão do colegiado pode ser considerada uma nova derrota para o relator do caso JBS, o ministro Edson Fachin [VIDEO]. Pela decisão, as menções a Lula e a Mantega devem ficar apenas com a Justiça Federal do Distrito Federal.

O ministro relator havia determinado que as cópias dos termos de colaboração fossem enviados para o Paraná e para o Distrito Federal, mas a decisão dos ministros da Segunda Turma definiu que as menções devem ficar apenas na capital do país, onde o crime teria ocorrido.

As defesas de Lula e de Mantega, que haviam entrado com recurso para impedir que as cópias fossem enviadas ao Paraná e passem pelas mãos de Sergio Moro, comemoraram o resultado conseguido no STF.

Gilmar Mendes, que chegou de viagem ao México, afirmou que os fatos não guardam relação com a Lava Jato e por isso não deveria ser encaminhado para Moro. O juiz federal é responsável por julgar os casos da Operação Lava Jato em primeira instância.

Celso de Mello e Ricardo Lewandovski acompanharam Mendes em seus votos. O ministro Dias Toffoli não compareceu à sessão. Lewandovski, que votou inicialmente com Fachin, mudou de opinião.

Com o resultado, Lula e Mantega não ficarão nas mãos de Moro, mas na do juiz federal da capital do Brasil. A defesa de Mantega afirmou ao Estadão que a decisão mostra que “o Paraná não é o foro universal para julgar essas delações”.

Por Paraná, leia-se Sergio Moro.

JBS

Joesley Batista, no primeiro termo de colaboração, fala sobre o fluxo nas contas-correntes de propinas que eram mantidas no exterior. Segundo o empresário, Dilma e Lula eram beneficiários e Guido Mantega operava a conta.

Lula x Moro

O juiz federal Sergio Moro foi alçado ao posto de inimigo número 1 do ex-presidente da República por parte da defesa de Lula, que tenta de todas as formas encontrar um culpado que não seja o homem que governou o Brasil entre 2003 e 2010.

Os ânimos ficaram ainda mais acirrados para os defensores do petista depois que Moro condenou Lula a nove anos e seis meses de prisão no caso do tríplex do Guarujá.

Para Lula e sua defesa, a condenação foi injusta e provou que Moro persegue o ex-presidente. Para grande parte dos brasileiros, no entanto, foi uma decisão correta e justa.

Eleições 2018

Após a condenação, Lula pode ficar inelegível se for condenado em segunda instância no caso do tríplex. O ex-presidente é o pré-candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) nas eleições do ano que vem.