A jurista Janaína Paschoal, uma das responsáveis pela autoria do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, resolveu se pronunciar e criticou o silêncio da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia. A jurista não entende porque a ministra fica quieta diante de tantas ações com repercussão negativa vinda do ministro Gilmar Mendes.

Janaína quer que a presidente da Corte deixe o silêncio de lado e encaminhe para a votação no Plenário o pedido de impedimento feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Gilmar Mendes.

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Se a ministra tomar uma posição e o pedido for julgado procedente, todas as decisões de liberdade proferidas por Mendes a seus possíveis amigos, serão canceladas. Se Cármen não fizer nada e manter o silêncio, o Supremo poderá ser alvo de uma grande desmoralização da Justiça, afirma Janaína.

A advogada afirmou que vê a suspeição arguida pela PGR como correta e pede uma atitude da ministra. De acordo com Janaína, todos os ministros da Corte parecem pensar como Mendes só que não falam nada, preferem ficar quietos. "Os fatos precisam ser esclarecidos", diz ela.

Para a jurista, colocar em votação um pedido de suspeição não é algo de outro mundo e isso pode ser feito naturalmente pelo STF. É uma discussão normal e que mostra a preocupação da Corte com todos os casos, para que não ocorra nenhum beneficiamento irregular.

Situação difícil

De acordo com o colunista João Gabriel Alvarenga, do site "Os Divergentes", Cármen Lúcia tem sérios problemas para resolver [VIDEO]. Se a ministra decidir colocar o impedimento de Mendes para votação no Plenário, ela poderá sofrer uma derrota, já que vários ministros estão ao lado de Gilmar e isso pode abalar toda a confiança do povo na Corte.

Caso Cármen decida ignorar o pedido de suspeição determinado por Janot, o povo pode se revoltar com o Supremo, ao vê-lo de mãos atadas diante tantas investidas de Mendes, que tem sido muito mal vista pelas pessoas.

Lava Jato

O ministro Gilmar Mendes concedeu mais três habeas corpus, nesta quarta-feira (23). Ele soltou Rogério Onofre, ex-presidente do Detro, a mulher dele, Dayse Deborah Alexandra Neves e um policial aposentado que foi acusado de fazer parte de todo o esquema do ex-governador Sérgio Cabral.

Essa determinação do ministro derruba mais uma ordem de prisão do juiz Marcelo Bretas, responsável pela Lava Jato [VIDEO] no Rio de Janeiro.

O ministro está deixando as pessoas revoltadas com tudo isso, e um pedido de impeachment contra ele já tem alcançado quase 1 milhão de assinaturas.