O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu entrevista, nesta segunda-feira pela manhã (28), à Rádio 95 FM de Currais Novos, no Rio Grande do Norte. Na entrevista, o político falou de sua caravana Lula Pelo Brasil, que percorre todos os estados do Nordeste, e fez uma série de críticas ao governo de Michel Temer, aos investigadores da operação Lava Jato e falou sobre sua candidatura à Presidência da República em 2018.

Em um dos trechos da entrevista, Lula diz que o golpe do impeachment não foi contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que sofreu impeachment em 2016, mas contra o povo brasileiro. "Na verdade, o golpe não foi na Dilma, foi no povo brasileiro. Diziam que tirando a Dilma tudo ia melhorar, mas na verdade está tudo a piorar", disse. "Tudo o que foi conquistado nesses últimos anos está sendo jogado no lixo depois do golpe", declarou, além de fazer menção à impopularidade do governo.

Sobre a possível candidatura à Presidência da República, Lula não disse que desistirá de se candidatar, mas deu a entender que sua candidatura não está 100% confirmada. "Mesmo que eu não seja candidato, serei um cabo eleitoral muito forte. Se for e ganhar, tenho convicção de que é possível resolver os problemas", afirmou. O ex-presidente também acrescentou que não faz "promessas", mas que já provou que sabe fazer o país crescer, como em seus dois últimos mandatos.

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Em relação à Operação Lava Jato, Lula disse que uma parte do Ministério Público Federal teria assumido um "compromisso" com os meios de comunicação para sustentar a mentira de que ele teria se envolvido no escândalo das denúncias. "Os procuradores da Lava Jato estão numa encalacrada que eles não sabem como sair. Inventaram uma mentira que não está se concretizando", afirmou. "Eles precisam ter responsabilidade nas denúncias.

Usando mentiras, querem destruir uma imagem construída em 50 anos a suor e sangue", afirmou.

Lula também disse que os procuradores foram injustos com Marisa Letícia, sua ex-mulher que faleceu este ano. Segundo Lula, “os meninos da Lava Jato têm responsabilidade na morte dela", e que eles terão de provar seu envolvimento. "Se eles [procuradores] estão acostumados a mexer com político corrupto, que enfia o rabo no meio das pernas e ficam quietos, comigo terão que provar", concluiu.

Devido à rapidez com que a apelação de Lula chegou ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4, segunda instância) após a sentença proferida no caso do tríplex pelo Juiz Sergio Moro em primeira instância, diversos juristas começaram a questionar a isonomia do tratamento dado ao político frente aos demais réus que também apelaram.

Se comparada à média dos demais processos da Lava Jato, que levaram entre 84 a 96 dias, de acordo com a reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, a de Lula levou 42 dias.

Caso seja condenado por órgão colegiado em segunda instância, no caso do TRF4, o réu é enquadrado na Lei da Ficha Limpa e fica inelegível. Mas, se for absolvido, Lula ainda pode se candidatar.

O Tribunal Superior Eleitoral informa que a lei permite que os partidos estabeleçam as convenções para se escolher os candidatos a partir de 20 de julho do ano da eleição. Portanto, Lula ainda não é oficialmente candidato do PT.

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