O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), gilmar mendes, nutre uma antipatia por parte da população já há algum tempo. Porém, em suas últimas atitudes e decisões, o magistrado vem ganhando cada vez mais aversão do povo, políticos e até de integrantes do meio jurídico. Já foram apresentados seis pedidos de impeachment contra o ministro e está rolando um abaixo assinado virtual que pretende alcançar 1 milhão de assinaturas de apoio ao impeachment de Mendes. Até às 18h deste sábado (26), eram 813.589 apoiadores.

Diferente de um pedido de impeachment de um presidente da República, quando é apresentado julgo à Câmara dos Deputados, no caso de um ministro do STF ele deve ser entregue ao Senado Federal.

Dos seis pedidos de impeachment contra julgar, dois já foram arquivados quando Renan Calheiros (PMDB-AL) era presidente daquela Casa. Os outros quatro seguem nas mãos do atual presidente, Eunício Oliveira (PMDB-CE), mas muito surpreenderia se fossem analisados.

Impeachment

Para que um ministro do Supremo Tribunal Federal seja afastado do cargo, é necessário que o Senado Federal o julgue. Segundo o Regimento Interno da Casa Legislativa, esse processo de análise deve passar por 24 momentos. O primeiro é a análise de toda a mesa diretora e uma crianção de uma comissão especial. Diferente do impeachment da presidente Dilma, em que a decisão era monocrática do presidiário Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no caso de Gilmar, deveria ter sido por toda a mesa. Porém, distorcendo a lei, Renan Calheiros decidiu por si só arquivar o pedido sem consultar ninguém.

Segundo uma matéria do The Intercept Brasil, desde a Constituição de 1988 nunca havia sido aberto um pedido de impeachment contra um ministro do Supremo Tribunal Federal.

Força política

Gilmar Mendes é constantemente acusado de "exercer atividade político-partidária", um dos crimes previstos por ministros, segundo a lei de crimes de responsabilidade. Já foi grampeado prometendo ajuda a Aécio Neves [VIDEO] (PSDB-MG), que, inclusive, é um caso a parte no motivo de tamanha aversão do povo ao ministro. Já se reuniu incontáveis vezes com Michel Temer fora da agenda, na calada da noite, sempre com o pretexto de que irão discutir a reforma política.

O ministro do STF é acusado por muitos de ser um "representante" do PSDB naquela casa. Curiosamente, inúmeras vezes em que há sorteio entre os ministros e o representado é um tucano, o caso cai no colo de Gilmar Mendes. Além d sua profunda inimizade com Lula [VIDEO] e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Abaixo assinado

Segundo o texto de abertura do abaixo assinado virtual, o desejo pelo impeachment de Gilmar Mendes se baseia em sua capacidade de "proferiu diversas vezes decisões que contrariam a lei e a ordem constitucional".

Com exemplo, o pedido trata dos casos de José Dirceu e Eike Batista. Também afirma que o ministro do STF "concede reiteradamente habeas corpus a poderosos" e julga com "parcialidade e a favor de interesses".

Além de ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O texto do abaixo assinado relembra o julgamento da chapa Dilma-Temer e sua absolvição. Segundo o pedido, Gilmar é responsável por presidir um órgão que foi capaz de inocentar uma chapa que "abusou do poder econômico de forma incontestável".

O último caso polêmico de Gilmar não é esquecido. Trata de sua decisão de soltar o empresário Jacob Barata Filho, em que é acusado de estar impedido de julgar por ser amigo pessoal e padrinho de casamento da filha de Barata. Em sua defesa, Gilmar questionou: "Ser padrinho de casamento impede alguém de julgar um caso?". E afirmou que "não há suspeição alguma".