O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, resolveu agir e colocou em movimento a ação sobre a prisão de condenados na segunda instância pelo Judiciário. Mello ignorou os apelos do juiz federal Sérgio Moro e da opinião pública e decidiu confrontar todos os que defendem a prisão dos condenados antes que todos os recursos se esgotem.

O embalo do ministro pode ter vindo de outro ministro da Corte, Gilmar Mendes [VIDEO], que tem levantado ódio das pessoas, que não concordam com suas decisões de livrar da cadeia os presos da Operação Lava Jato.

Mello para dar continuidade aos seus objetivos, requisitou informações ao Congresso Nacional e à Advocacia-Geral da União.

Ele também ouvirá a Procuradoria-Geral da República e partirá para a pressão sobre a presidente da Corte, Cármen Lúcia.

De acordo com o ministro, a votação que teve no ano passado, foi apenas uma liminar, agora terá que se fazer uma outra mais definitiva sobre a prisão em segunda instância. Há a expectativa de uma grande reviravolta em tudo isso. Gilmar Mendes que na época votou a favor da prisão, decidiu mudar o seu voto.

Desastre

O juiz Sérgio Moro falou durante uma palestra, neste sábado (26), em São Paulo, que um eventual recuo do STF seria um grande desastre para todas as investigações. Segundo Moro, para que o Brasil possa acabar com essa corrupção sistêmica que tomou conta do país, é preciso seguir adiante e não retroceder.

Os coordenadores da Lava Jato também falaram sobre o assunto e disseram que o marco mais importante do combate à corrupção é a prisão em segunda instância.

É só através disso, que os condenados aceitam colaborar com a Justiça e aceitam fornecer dados importantíssimos sobre os esquemas corruptos praticados por eles.

Numa entrevista ao Jornal "O Globo", o ministro Luís Roberto Barroso, também defendeu a prisão em segunda instância [VIDEO] e disse que há muitos interesses dentro do Judiciário e isso é um mal sinal. Barroso não concorda que o STF volte atrás e mude um entendimento que não faz nem um ano que foi determinado. Tudo acaba ficando meio estranho.

Pressão

O último passo do ministro Marco Aurélio é pressionar Cármen Lúcia para incluir o assunto na pauta do STF. Apenas para relembrar, a ministra revelou durante um encontro com Moro que ele podia ficar tranquilo, pois não está na pauta do Supremo essa votação. Resta saber se ela manterá as suas palavras ou se a pressão dos ministros será grande e ela retrocederá.