Um dos mais destacados procuradores federais que integram a força-tarefa de investigação da maior operação de combate à corrupção na história contemporânea do país, a Operação Lava Jato, se manifestou incisivamente em relação aos riscos que permeiam a realidade das apurações, em evento realizado nesta quarta-feira (30), em Florianópolis, Santa Catarina. Trata-se do procurador federal Carlos Fernando dos Santos Lima, que atua como um dos principais nomes da força-tarefa de investigação da Operação Lava Jato.

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Ele afirmou durante a realização do 9º Seminário de Transparência e Controle, na capital catarinense. O procurador Carlos Fernando fez críticas consideradas contundentes contra o sistema político brasileiro, ao relatar sobre sua participação na investigação sobre um grande escândalo de evasão de dezenas de bilhões de reais provenientes de recursos públicos do Banco do Estado do Paraná, no que foi chamado à época de Caso Banestado.

Carlos Fernando dos Santos Lima foi ainda mais longe, ao afirmar que o Congresso Nacional brasileiro estaria tramando um verdadeiro plano para que se consiga anistiar políticos envolvidos na investigação de crimes relacionados à Operação Lava Jato. Segundo o procurador, os parlamentares ‘’não vão arriscar perder o foro privilegiado. E será uma anistia enganosa, vão pedir pela finalidade de caixa dois para se livrarem de todos os crimes’’. O procurador fez ainda uma forte advertência, ao relatar que a "Lava Jato corre sério risco de perecer".

'Troca de farpas' com advogado de réus da Lava Jato

O procurador Carlos Fernando se envolveu numa verdadeira troca de farpas online, através da rede social do Facebook, com um dos mais famosos advogados de réus da Operação Lava Jato, Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay.

Carlos Fernando declarou que na internet, é um cidadão comum que pode se manifestar e possui suas convicções políticas, ainda mais em se tratando dos dias de hoje, em que “a nossa política é criminosa”. Entretanto, nos últimos dias, o procurador Carlos Fernando e o advogado de vários réus da Lava Jato, Kakay, chegaram a travar embates nas redes sociais. Kakay chegou a acusar o juiz Sérgio Moro, de ter relações com o advogado Carlos Zucolotto Júnior, que foi acusado pelo advogado dos réus, de implementar negociações com a operação, o que seria considerado por Kakay, como obstrução à Justiça.

Porém, Carlos Fernando foi enfático ao rebater a acusação, ao comentar na rede social que “Kakay diz que Sérgio Moro deveria ser preso em decorrência das fantasias de um livro de um réu foragido, cujos trechos foram publicados em uma coluna social. Mesmo considerando os flexíveis limites éticos do ‘autoproclamado melhor advogado do país”, teria ido longe demais, sendo que lhe caberia apenas dizer para que tome vergonha na cara.