O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchgoyen, concedeu uma entrevista à jornalistas, nesta sexta-feira (4), e afirmou estar preocupado com o risco de que o crime organizado possa interferir nas eleições de 2018. Para ele, o crime pode financiar candidatos e isso seria um sério problema para o país, que ficaria refém de atitudes violentas.

O encontro com os jornalistas aconteceu no Rio de Janeiro e o intuito da conversa era explicar sobre o plano de segurança para o estado do Rio. Segundo o general, existe uma grande Ameaça à segurança institucional com as eleições para presidente, governador e deputados federais e estaduais.

Para dar um exemplo de sua preocupação, ele citou uma operação em São Paulo que prendeu advogados infiltrados em organização civil. Esses advogados mantinham um laço com uma facção perigosa, o PCC (Primeiro Comando da Capital). Na visão do general, com a interrupção dos financiamentos privados para as campanhas, que poderiam resultar em caixa 2, os candidatos iriam recorrer a criminosos para poderem adquirir dinheiro para suas publicidades.

Sérgio Etchgoyen teme que isso aconteça e falou sobre acontecimentos no Maranhão e no Rio de Janeiro, onde ocorreram ameaças físicas para impedir as eleições. Segundo dados mencionados pelo general, na Baixada Fluminense 15 candidatos foram mortos desde 2015, o que seria um número assustador. Segundo as informações da polícia, essas mortes teriam acontecido devido as disputas dos milicianos e tudo com ordem de traficantes.

Gilmar Mendes

No ano passado, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes [VIDEO], já havia alertado sobre esse mesmo assunto. Na época, ele enviou um ofício ao Ministro da Justiça pedindo para que a Polícia Federal (PF) [VIDEO] investigasse as mortes de candidatos.

O ministro chegou a dizer que poderia haver conotação eleitoral nos incidentes e a situação era considerada grave. O crime organizado já influenciou as eleições do ano passado na Baixa Fluminense, onde 13 candidatos a vereador foram mortos, sendo 11 por causa da política com a participação de milícias.

Segurança imediata

O general afirmou que o Governo Michel Temer irá destinar R$ 700 milhões para a segurança, sendo liberado de mês a mês uma certa quantia. O próprio governo é que vai comandar e ser responsável pela destinação da verba. Uma parte dela será para a Polícia Rodoviária Federal.