A professora Márcia Friggi, que foi violentamente agredida por um aluno após tentar expulsá-lo de sala [VIDEO], em Santa Catarina, gerou comoção nas redes sociais na última segunda (21) após publicar fotos demonstrando o resultado da agressão sofrida. A publicação, que gerou milhares de reações e compartilhamentos, é mais um triste capítulo das difíceis condições que os professores encontram para exercer o ofício no país.

Contudo, além das reações de apoio, a professora vem sendo alvo de mais um tipo de violência: centenas de defensores do deputado federal Jair bolsonaro vem publicando desde ontem mensagens de ódio e deboche contra a educadora, motivados pelo fato de a professora ter compartilhado conteúdo sobre a ovada da qual o deputado foi alvo na semana passada e também por a educadora demonstrar simpatia com ideias de esquerda.

A professora bloqueou comentários de desconhecidos em seu perfil devido aos ataques.

Em um dos comentários, um usuário disse "achou certo a agressão a Bolsonaro e agora apanha na cara de aluno... (...) me parto de rir.". Um outro usuário legitimou a agressão: "Apoiadora da cartilha comuno petistas (sic)... Só provou do próprio veneno... bem feito" e ainda completou "Apanhou pouco".

Família Bolsonaro envolvida em polêmicas

Este não é o primeiro caso associando seguidores de Bolsonaro a manifestações de ódio, que parecem motivados pelas posturas erráticas do parlamentar e de seus filhos. Um caso de grande repercussão ocorreu em 2016, envolvendo a nadadora Joanna Maranhão, que já manifestou publicamente não ser simpatizante de Bolsonaro. Após ter sido desclassificada nos Jogos Olímpicos do Rio, Joanna recebeu centenas de ofensas de simpatizantes do deputado em sua página no Facebook, que iam desde xingamentos variados junto a menções de admiração a Bolsonaro, até ameaças de estupro, que motivaram a nadadora a encaminhar denúncia contra os internautas.

O próprio parlamentar tem sua coleção de casos polêmicos. Recentemente, foi condenado a indenizar a deputada federal Maria do Rosário em processo motivado pelo fato de o parlamentar ter afirmado em plenário que não estupraria Rosário "porque ela não merecia". Em 2016, durante sessão da Comissão Geral da Câmara sobre Violência contra a mulher, Jair Bolsonaro se revoltou ao não ter um pedido de reposta acatado. Revoltado, o deputado subiu à mesa da Casa e cometeu violência verbal contra a deputada Maria do Rosário, que presidia a sessão. Bastante exaltado, o deputado teve que ser contido por outros parlamentares e foi retirado da mesa sob vaias de integrantes de movimentos feministas. Poucos minutos depois, seu filho, Eduardo Bolsonaro, que também é deputado, teria ameaçado a vice-presidente da OAB-DF, que também assistia a sessão, ao dirigir à profissional a frase "Te pego lá fora".