O PSDB está imerso em uma crise profunda e constante. Rachado, o partido não tem nenhuma unidade, tanto nos discursos como nas ações, com suas principais figuras se sabotando em plena luz do dia. De um lado, temos Aécio Neves, já dado como "carta fora do barulho" por muitos e tentando se apegar as últimas esperanças de manter seu nome vivo - nem que para isso tenha que fazer um "pacto com o diabo". Para tal, tenta manter o PSDB ligado ao impopular governo de Michel Temer, para ter alguma vantagem e manter seu inestimável foro privilegiado.

Do outro lado temos o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin [VIDEO], que tenta se afastar da imagem de Michel Temer e trazer um discurso mais apaziguador.

Alckmin observou que após tanta briga nas ruas e discussões, uma parcela do eleitorado deseja se unir por um bem maior. Quando Michel Temer assumiu após a saída da presidente Dilma, em seu primeiro discurso, falou que iria trabalhar para unir a população novamente. De fato, nisso ele não mentiu. Quebrando recorde após recorde de impopularidade, conseguiu unir o eleitorado contra seu governo. É nessa parcela mais adepta a união que Alckmin aposta.

Como não é uma luta justa, está mais para uma briga de rua, uma terceira força pode se juntar. O prefeito de São Paulo, João Doria [VIDEO], coloca suas "asinhas" de fora com seu marketing a cada semana. Após dias e muitas informações sobre um racha entre Doria e Alckmin, estando um minando o outro internamente, ambos aparecem em um vídeo - sim, mais um vídeo - se abraçado e negando qualquer desavença.

Doria é pregador do caos. O prefeito marqueteiro aposta no confronto e no uso das palavra contra Lula, Dilma e o PT para ganhar notoriedade. Um discurso já batido e atrasado, que já alcançou seu propósito há mais de um ano, quando conseguiu o impeachment. No mais, o mais próximo que pode chegar é a ganhar uma "chuva de ovos".

Sendo derrotado pelo rival histórico nas eleições presidenciais desde 2002, duas vezes com José Serra, uma com Alckmin e outra com Aécio Neves, o PSDB estava com a "faca e o queijo" na mão após o impeachment da presidente Dilma para conseguir retomar o Planalto após anos. Mas o partido se perdeu, não soube durante todos os anos de petismo na presidência assumir o papel de oposição, tampouco retornar e ser situação novamente.

Racha

Segundo matéria publicada pela BBC Brasil, a ala do PSDB que deseja permanecer no governo de Michel Temer se apega a três fatores:

Máquina pública: estar na base aliada do governo é estar perto dos cargos e dinheiro. Em ano de eleição, ainda mais uma tão complexa e indefinida como será a de 2018, está perto da máquina pública é uma grande vantagem.

Retomada da economia: a ala "temerista" do PSDB acredita que o Brasil voltará a crescer em breve e a melhora na economia será sentida pela população. Os tucanos desejam estar ao lado do governo para "colher os frutos" que acreditam que terão quando o dinheiro voltar a entrar.

Proteção: Aécio Neves está cada vez mais impregnado de denúncias. Ele precisa desesperadamente da proteção do foro privilegiado para permanecer solto. Para tal, os votos do PMDB e da base aliada de Temer são decisivos para manter o mandato do senador.

Enquanto a ala à favor de Temer tenta pregar que o partido não está mais dividido e que tudo se resolveu após o arquivamento da denúncia contra o peemedebista na Câmara dos Deputados, os cabeças-pretas (ala mais jovem do PSDB) insistem em romper com o governo.

E eles têm um aliado de peso nessa empreitada de largar o osso do governo. O PSDB de São Paulo. Diferente do Mineiro, encabeçado por Aécio, o diretório de SP deseja se afastar da figura de Michel Temer. Pelo menos a grande maioria. João Doria parece ser o único a querer se aproximar de Michel Temer nesse momento.