Integrantes da força-tarefa de Curitiba procuraram a futura procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e entregaram um esquema montado por Rodrigo Janot para tentar favorecer o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente cassada Dilma Rousseff e outros petistas. A denúncia é de extrema gravidade e só não complicou as investigações da Lava Jato porque, por trás dela, estava o juiz Sérgio Moro [VIDEO], que teve um posicionamento firme e destruiu algumas investidas de procuradores ligados a Rodrigo Janot.

Segundo a denúncia da força-tarefa, Janot e sua equipe montaram, há cerca de um ano e meio, uma investigação da Lava Jato paralela à principal.

A intenção deles era favorecer o PT e tentar acabar com o presidente Michel Temer e líderes do PMDB. Nos últimos dias, sem o consentimento do pessoal de Curitiba, o grupo de Janot decidiu retardar a homologação da delação da OAS, que já estava pronta há 10 dias para ser entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF). Com isso, a turma do procurador-geral da República deu prioridade para forçados acordos de delação com o ex-deputado Eduardo Cunha e o operador do PMDB, Lúcio Bolonha Funaro. Janot exigiu uma nova denúncia urgente contra Michel Temer [VIDEO], antes dele deixar o cargo e, para isso, sua equipe tenta pressionar Cunha e Funaro para que falem sobre Temer.

Esquema montado

Para a turma de Curitiba, Janot elaborou um esquema para ajudar Lula. Eles preferiram ignorar as delações da OAS que já tem todos os artifícios para incriminar Lula e Dilma, e se comprometeram com delações que ainda não possuem provas concretas contra o presidente Temer.

De acordo com um desabafo de um membro da Lava Jato do Rio Grande do Sul, Janot só não conseguiu dominar toda a Operação Lava Jato porque os procuradores, no comando de Sérgio Moro, impediram o acontecimento.

Os procuradores ligados a Raquel Dodge já decidiram que todas as delações obtidas com o aval de Janot serão revistas, mas para isso é preciso que o STF esteja de acordo. Um procurador, que não quis se identificar, afirmou que confia no ministro Edson Fachin e acredita que ele vai permitir a revisão das delações, mesmo ele tendo uma simpatia pelo PT, pois foi Dilma que o indicou para o cargo.

Janot sem saída

O procurador-geral da República tem visto seus planos irem por água abaixo e pode estar preocupado com isso. Com a rejeição da Câmara dos Deputados da denúncia contra Temer e a escolha de Raquel Dodge para o seu lugar, Janot está se vendo sozinho e o seu esquema vem ruindo.

Algo curioso e que chamou a atenção é que, na semana passada, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima declarou que havia recusado um convite de Temer, na época como vice-presidente, para uma conversa fora da agenda oficial. Lima não aceitou o convite, mas resolveu comentar esse detalhe apenas agora. Por que ele esperou tanto tempo para revelar isso, sendo que o convite foi feito há mais de um ano? Lima tem sido um dos críticos da postura de Raquel Dodge.