Rubens Furlan, prefeito da região metropolitana de São Paulo e ex-deputado federal, que ganhou fama nacional ao protagonizar uma reportagem sobre o desvio de uma TV doada para uma escola, acaba de se envolver em uma nova polêmica.

Em um novo governo contestado pelos moradores da cidade de Barueri, considerada uma das mais ricas do estado de São Paulo, Furlan foi filmado discutindo com professores, durante a inauguração de uma creche, no domingo dia 03/09.

Os professores não concordavam com a terceirização dos professores e demais funcionários dos maternais, bem como reclamavam das normas impostas pelo prefeito, tornando mais rígido o acesso a alguns benefícios que a categoria tem direito há anos na cidade.

Rubens Furlan deixou claro que os professores concursados ganham bem mais do que os terceirizados recém contratados. Também disse que sem a terceirização, um maternal chega a custar R$800 mil mensais.

Em seguida, uma pessoa perguntou ao prefeito o que ele pretende fazer para evitar o Nepotismo na empresa contratada para terceirizar os maternais. Dentre outras coisas, Rubens Furlan disse só iria exigir dos terceirizados um trabalho melhor do que o dos concursados, alegando que não tinha problema ter parentes trabalhando no setor público.

A mesma pessoa que o abordou anteriormente, completou com outra pergunta: “Pode usar recurso público para fins privados?” e Furlan, prestando atenção ou não na pergunta, respondeu: “Pode”.

Vale ressaltar que os governos de Furlan são conhecidos pelo trabalho em família, de forma que o setor público tem muitos familiares seus, a começar pela Secretaria de Educação do município, que conta com o irmão do prefeito, Celso Furlan, o mesmo da polêmica mostrada no programa CQC há alguns anos.

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Outro irmão do prefeito, Toninho Furlan, que é vereador, também foi nomeado para uma das secretarias municipais logo no início do governo, em janeiro.

Abuso de autoridade

No decorrer da conversa, Furlan começou a perder a paciência e disse que os terceirizados trabalham melhor que os concursados. Para evitar piorar a situação, ele salientou que não mandou demitir nenhum concursado, e uma das pessoas que estavam conversando com ele disse que ele só não o fez por que não pode (concursados só podem ser demitidos após apuração de processo interno que prove ato incompatível e imperdoável praticado no exercício da função pública).

Rubens Furlan então se estressou, olhou para quem lhe fez a pergunta e desafiou os funcionários públicos: “Quer apostar que eu posso?”, deixando claro que pode passar por cima das regras e demitir servidores públicos, mesmo que não haja processo administrativo apurando uma falta grave por parte do funcionário, conforme manda a lei.

Rubens Furlan foi eleito de uma maneira polêmica, que ganhou destaque em revistas e jornais de todo o Brasil, pois ele estava inelegível até poucas semanas antes do início da disputa eleitoral.

Estranhamente, ele conseguiu que os mesmos vereadores que rejeitaram suas contas em 2013, se 'arrependessem' da decisão e a revogassem ano passado. O caso gerou ações judiciais e atualmente existe uma ação contra o prefeito no TSE, mesmo órgão que decidiu, monocraticamente, em novembro passado, que se não houver ação judicial anulando decisão da Câmara, os parlamentares não possuem autonomia para fazê-lo. Sendo assim, o prefeito recém eleito, permanecia na condição de inelegível, caso não comprovasse essa anulação judicial.

Segundo a imprensa local da região metropolitana, Rubens Furlan deve trocar seu atual partido, PSDB, pelo Podemos, afim de disputar o cargo de governador do estado de São Paulo. A informação foi divulgada por políticos da região, como Igor Soares, prefeito de Itapevi, que disse que a deputada federal, Renata Abreu, fez o convite para Furlan mudar de partido, a fim de chegar ao Palácio dos Bandeirantes. A assessoria de Furlan não confirmou ou negou essa informação.

Assista ao vídeo polêmico envolvendo o político: