O comandante-geral do Exército brasileiro, general Eduardo Villas Bôas, resolveu se manifestar sobre toda a polêmica gerada por um discurso recente proferido por um dos mais respeitados generais das Forças Armadas do Brasil, general Antônio Hamílton Martins Mourão. O caso remete a uma palestra dada pelo general Mourão na última sexta-feira (15), numa loja maçônica em Brasília, em que o militar afirmou incisivamente como sugestão, a possibilidade de que poderia ocorrer uma espécie de intervenção militar no país, dada à crise entre os poderes da República, principalmente, em face da escalada da corrupção que chegou a atingir todos os poderes da República: Executivo, Legislativo e Judiciário.

Vale ressaltar que o general Antônio Mourão é secretário de economia e finanças da corporação.

Questão resolvida internamente

O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, decidiu se manifestar a partir de uma entrevista dada ao jornalista Pedro Bial, da Rede Globo de Televisão, no programa "Conversa com Bial", exibido na madrugada desta quarta-feira (20), na emissora da família do jornalista Roberto Marinho. O general Villas Bôas afirmou categoricamente que já teria conversado com o general Mourão em relação ao ocorrido. Naquela ocasião, o general Mourão havia relatado em sua palestra, de que os militares poderiam ter que impôr uma intervenção, no entanto, "essa imposição não seria fácil".

A resposta do general Eduardo Villas Bôas em relação ao mal-estar ocorrido dentro dos quartéis, foi afirmar ao jornalista Pedro Bial de que "a questão já estaria resolvida internamente".

Além disso, Villas Bôas foi contundente ao revelar que não haverá nenhum tipo de punição ao general Mourão e que "as coisas seriam colocadas no lugar, mas punição não". Num momento considerado "inusitado" da entrevista, o comandante do Exército foi extremamente elogioso ao general Mourão, ao comentar que ele seria "um grande soldado, uma figura fantástica, um gauchão".

Entretanto, polêmica chegou a um alto patamar, quando o ministro da Defesa, Raul Jungmann, chegou a solicitar que o comandante da corporação, general Eduardo Villas Bôas, se manifestasse a respeito da atitude tomada pelo general Antônio Mourão, que goza de grande apoio entre os militares e também nas redes sociais. Ao ser questionado, durante a entrevista, e relação à situação da Amazônia, Villas Bôas afirmou que as informações sobre a floresta passariam por um filtro considerado "politicamente correto" e que "a abordagem dessa questão, levaria em conta, em primeiro lugar, a condição humana das pessoas que lá vivem". Já quanto ao papel desempenhado pelas Forças Armadas no Rio de Janeiro, o militar disse que "o Exército criaria um ambiente para que outros vetores do Estado atuem na comunidade".