O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deixará o cargo no final de setembro e está aproveitando o último mês para tentar fazer uma limpa no cenário político brasileiro. Além da segunda denúncia contra Michel Temer [VIDEO] que deve ser protocolada nessa semana, a PGR denunciou a cúpula do PMDB no Senado.

Foram denunciados por Janot o presidente nacional do PMDB, Romero Juca (RR), o ex-presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (AL), o ex-ministro de Minas e Energias, Edson Lobão (MA), e os senadores Valdir Raupp (RO) e Jader Barbalho (PA). Também estiveram na mira de Janot o ex-presidente da República, José Sarney, e o ex-senador do PSDB, Sérgio Machado, aquele que apareceu em uma ligação gravada com Romero Jucá combinando a queda de Dilma e a entrada de Temer para "estancar a sangria".

Segundo a denúncia, todos os integrantes do PMDB participam da organização criminosa desde 2004 até hoje. Já Machado, ex-presidente da Transpetro, também entrou em 2004, mas teria saído da quadrilha ano passado, quando fechou seu acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.

Os político são acusados de formação de uma organização criminosa que teria recebido a quantia de R$ 864,5 milhões em propina por fornecedores da Petrobras e da Transpetro. Além da propina, são acusados de terem causado um rombo de R$ 5,5 bilhões aos cofres da Petrobras e de R$ 113 milhões aos da Transpetro. A pena para o crime de organização criminosa varia entre três a oito anos de prisão e multa. Além de pedir suas prisões, Rodrigo Janot solicitou que os envolvidos que ocupam uma cadeira no Senado Federal percam seus mandatos.

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Também é cobrada uma multa no valor de R$ 200 milhões de cada um deles.

Defesa

Todos os acusados liberaram notas para a imprensa se defendendo dos crimes. Romero Jucá, já réu em diversos processos e líder de acusações na Lava Jato, afirmou que confia no Supremo Tribunal Federal (STF), onde correm todos os inquéritos contra ele por causa do foro privilegiado. E completou a nota dizendo que espera velocidade na apuração da denúncia.

O ex-presidente do Senado, Renan Calheiros, deu uma alfinetada em Rodrigo Janot afirmando que o procurador-geral está criando "denúncias defeituosas" para desviar do assunto que são as delações da J&F e os erros cometidos nelas. Calheiros ainda afirmou que não tem e nunca teve nenhum contato com os crimes na Petrobras "e o procurador já sabe disso".

O senador Jader Barbalho seguiu a mesma linha de raciocínio de Renan Calheiros e apontou o dedo para Janot, afirmando que a denúncia não passa de uma "cortina de fumaça" para encobrir seus erros na delação da J&F.

O senador Valdir Raupp afirmou que irá provar sua inocência como já fez em outros casos em que foi denunciado "injustamente". Terminou ironizando o trabalho de Janot, afirmando que a denúncia foi feita no apagar das luzes de seu mandato como procurador-geral da República.

O advogado de José Sarney declarou que não entende porquê o nome de seu cliente foi envolvido nessas acusações, já que na abertura do inquérito ele não havia sido incluído. E completou dizendo que Sarney não participava de nomeações para cargos.

O PMDB, partido de cinco senadores que compõem sua bancada, também apresentou uma nota afirmando que essa é uma denúncia que carece de provas. Afirmou que ela se baseia apenas em delações premiadas duvidosas.

O tucano Sérgio Machado teve um tom diferente dos demais e afirmou que continuará contribuindo com a Justiça. E relembrou que sua participação em investigações trouxe benefícios.

Leia a denúncia completa da Procuradoria-Geral da República aqui!