Um integrante da equipe da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, foi visto em um encontro com uma mulher não identificada e o assunto foi revelado pelo jornal Folha de São Paulo. O procurador Sidney Pessoa Madruga esteve por mais de uma hora conversando com essa mulher num restaurante em Brasília, nesta quinta-feira (21).

O diálogo foi flagrado pela reportagem da Folha que viu indícios de que o braço direito do ex-procurador-geral da Repúbica Rodrigo Janot [VIDEO], Eduardo Pelella, deveria ser investigado em decorrência de sua atuação frente à delação da JBS. De acordo com Madruga, é necessário saber o que Pelella teria negociado com o advogado Francisco Assis e Silva, um dia antes de Joesley Batista gravar o presidente Michel Temer e complicar a sua vida.

O procurador acredita que há irregularidades nos acordos firmados, mesmo Janot negando qualquer problema.

Depois, o assunto se voltou para Curitiba, no Paraná. Madruga relatou à mulher que o acompanhava no restaurante, que Raquel Dodge pretende ter outra relação com a força-tarefa de Curitiba. Ela quer mais controle interno e mais interlocução. Raquel não concorda com o jeito que Janot deixava os investigadores soltos nas investigações.

Surgiu uma dúvida no ar: isso seria uma tentativa de controlar os trabalhos do juiz federal Sérgio Moro [VIDEO]?

Raiva de Janot

Durante a conversa, foi falado sobre a campanha de Janot contra Dodge. Ele tentou de todas as formas que Michel Temer não a escolhesse para o comando da PGR. Segundo o procurador, Janot pegou muito pesado com Dodge e criou um clima tenso.

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Janot teria enviado, por duas vezes, um interlocutor para tentar fazer a cabeça do presidente para não escolher Raquel Dodge para sucedê-lo. O atrito entre os dois chegou a ser visto em vários episódios.

Num deles, Raquel descobriu que seu gabinete havia sido revirado por alguém, que teria colocado escutas no ambiente. Segundo informações dela, na época, Janot poderia ter sido o responsável por isso.

Resposta da PGR

A Secretaria de Comunicação da Procuradoria-Geral da República afirmou que o encontro entre Sidney Madruga e essa mulher faz parte de uma conversa privada e que não tem nada a ver com os desígnios da PGR e nem qualquer atuação criminal na Operação Lava Jato.

A Secretaria disse que as informações do jornal estão equivocadas e não refletem o teor real do diálogo. Madruga teve sua nomeação publicada na terça-feira (19), um dia após a posse de Raquel. Ele é coordenador do Grupo Executivo Nacional da Função Eleitoral (Genafe).