Um dos mais polêmicos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, desferiu uma série de "ataques" direcionados ao ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, durante sessão em Plenário da mais alta Corte brasileira, na tarde desta quarta-feira (20), que jugou uma questão de ordem apresentada pela defesa do presidente da República Michel Temer. A questão de ordem se baseava na autorização ou não, por parte da Corte, para que a segunda denúncia apresentada pelo ex-procurador-geral Rodrigo Janot, fosse encaminhada para análise na Câmara dos Deputados.

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Vale ressalta que a grande maioria dos magistrados da Corte apresentou votos favoráveis ao encaminhamento, de acordo com o relator do cado, ministro Luiz Edson Fachin.

Entretanto, como uma voz dissonante, em relação aos demais ministros, Gilmar Mendes fez fortes declarações contrárias ao papel desempenhado por Rodrigo Janot, durante o período em que ele comandou a Procuradoria-Geral da República.

Forte 'artilharia' contra Rodrigo Janot

Durante mais de uma hora em relação ao proferimento de seu voto contrário que a segunda denúncia apresentada contra o presidente Michel Temer, o ministro Gilmar Mendes foi contundente em fazer duras críticas contra o ex-procurador-geral Rodrigo Janot, na tarde desta quarta-feira (20). Vale ressaltar que o ex-procurador deixou o cargo no último domingo (17). De acordo com Gilmar Mendes, o ex-procurador vivia com dedo em riste" e poderia ter tido, na verdade, um desfecho mais glorioso. Mendes foi ainda mais longe ao afirmar que Janot poderia ter solicitado a sua própria prisão provisória ao ministro-relator do caso JBS, Edson Fachin.

O ministro Gilmar Mendes, por meio de suas fortes críticas dirigidas a Janot, consolidou o seu posicionamento em ser um grande "desafeto" do ex-procurador-geral da República. Mendes ressaltou que Janot não teria pedido a própria prisão, porque não teria tido coragem para isso. Durante sua fala, Mendes chegou até mesmo a afirmar que o ex-procurador seria um indivíduo sem nenhum caráter. Mendes se referia ao conturbado acordo de colaboração premiada firmado entre o empresario Joesley Batista e a Procuradoria-Geral da República, sob a condução de Rodrigo Janot.

Vale recordar que o comando da instituição está agora a cargo da nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge. A nova procuradora acabou não se manifestando sobre as palavras de Gilmar Mendes, dirigidas ao seu antecessor, já que ela esteve presente em Plenário do Supremo Tribunal Federal, nesta quarta.