A situação do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva parece se complicar a cada dia mais, perante a Justiça Federal, principalmente, em se tratando da Justiça Federal de Curitiba, no estado do Paraná. Alguns dos processos que implicaram o ex-presidente Lula, em crimes relacionados à Corrupção e a condenação a mais de nove anos e seis meses de prisão, partiram de decisões tomadas na sede da Operação Lava Jato [VIDEO], em Curitiba, que julga processos em primeira instância, sob o comando do juiz Sérgio Moro.

Entretanto, com a condenação do ex-mandatário do país, por determinação do juiz federal paranaense, a defesa de Lula tentou "correr contra o tempo" e apresentou documentação que comprovariam pagamentos de aluguel, em se tratando do imóvel vizinho ao apartamento de Lula, em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo.

Porém, ao invés de beneficiar o ex-presidente Lula, as provas e a documentação podem ter complicado ainda mais a sua situação.

Datas inexistentes

O mais inusitado e fator de grande relevância para o desdobramento das investigações sobre o imóvel vizinho à residência de Lula, em São Bernardo do Campo, é que a utilização do apartamento em questão, para efeito de aluguel, cujos pagamentos teriam sido realizados por Lula, apresentam graves inconsistências, como por exemplo, algumas datas consideradas inexistentes no calendário cristão.

As datas que não existem correspondem aos dias 31 de junho de 2014 e 31 de novembro de 2015, período em que ocorreu o término do contrato de locação do imóvel. A documentação foi entregue pela defesa de Lula nesta segunda-feira (25) à Justiça Federal de Curitiba, sob condução do juiz Sérgio Moro.

Entretanto, apenas a data de assinatura consta em período considerado correto.

A defesa de Lula argumentou ainda que os pagamentos de aluguel se caracterizaram por ser uma relação privada de locação. Já em relação as duas datas inexistentes apresentadas nos recibos dos pagamentos de aluguéis de Lula, a defesa afirmou que teria ocorrido um erro material, que não teria qualquer tipo de relevância, em relação a todo o conjunto probatório, de acordo com os defensores.

O imóvel que está sendo investigado pela Operação Lava Jato, é um dos pontos da acusação dirigida a Lula, já que nessa ação há fortes suspeitas de que o ex-presidente teria recebido propinas provenientes da empreiteira Odebrecht, através da compra de um terreno que seria utilizado para a compra da sede do Instituto Lula.

Defesa contesta

Os defensores do petista se manifestaram, através de uma nota, ao afirmarem que o erro constado, em se tratando das datas inexistentes, não teria qualquer relevância para o valor probatório dos documentos.