Advogado do presidente Michel Temer [VIDEO] (PMDB), Antonio Cláudio Mariz de Oliveira apresentou nesta sexta-feira, dia 15, um pedido para que a nova denúncia contra o presidente [VIDEO] retorne à Procuradoria-Geral da República (PGR). A petição foi apresentada ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que irá avaliar se acata ou não o pedido da defesa do presidente. As informações são da Agência Brasil.

Se Fachin aceitar o pedido da defesa de Temer, a denúncia será então reanalisada pela Procuradoria-Geral da República, que a partir da próxima segunda-feira, dia 18, será chefiada pela nova procuradora-geral, Raquel Dodge.

Indicada por Temer, ela substitui Rodrigo Janot, que esteve à frente do orgão por quatro anos.

Segundo argumento apresentado pelo advogado de Temer, a denúncia deve ser devolvida à PGR pois os fatos imputados ao presidente teriam acontecido antes de ele ocupar o principal cargo político do país. Segundo a Constituição brasileira, o presidente não pode ser julgado durante seu mandato por crimes supostamente cometidos antes de alcançar o cargo.

Denúncia aponta Temer como chefe do “quadrilhão do PMDB” na Câmara

Na nova denúncia apresentada por Janot, Temer é apontado como suposto líder da organização criminosa batizada de “quadrilhão do PMDB”, que, segundo investigações da Polícia Federal (PF) agia na Câmara. Segundo o inquérito da PF, os atuais ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Frango (Secretaria-Geral da Presidência) e os ex-deputados - hoje detidos - Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima e Henrique Alves atuavam na Câmara para beneficiar empresas e executivos que, como contrapartida, faziam repasses de propina ao PMDB.

De acordo com a PF, Temer – então vice-presidente da República – era o cabeça do grupo, responsável pela anuência dos acordos que utilizavam manobras políticas para beneficiar executivos como Joesley Batista, da JBS.

Em maio deste ano, Joesley divulgou gravações telefônicas de conversas com o presidente Temer onde falava sobre o pagamento de propinas, incluindo uma “mesada” que estaria sendo destinada para que Eduardo Cunha, preso, se mantivesse calado sobre os acordos do grupo.

Denúncia obrigará Câmara a fazer nova votação

Caso Fachin não aceite o pedido da defesa de Temer para devolver a denúncia à PGR, o processo será novamente votado da Câmara, que decidirão se a denúncia será ou não julgada pelo STF. Caso este cenário se confirme, Temer deverá voltar à estratégia realizada na ocasião da primeira denúncia, quando lidou diretamente com diversos deputados para garantir o arquivamento da denúncia, o que se confirmou posteriormente.

Apesar de ter confiança de que conseguirá novamente os votos necessários para barrar a segunda denúncia, o Planalto quer evitar a votação para impedir que o Governo volte a sangrar junto à opinião pública.

Para aliados de Temer, uma nova cruzada contra o presidente, acuado desde a delação premiada de Joesley, pode atrapalhar o andamento das votações das reformas no Congresso.

Tentando fugir da crise, Temer vê Meirelles se tornar pré-candidato

Enquanto tenta costurar acordos políticos e se desvincilhar da crise que grudou em seu governo, Temer vê também um dos principais pilares de seu ministério revelar abertamente a pretensão de ocupar seu cargo no futuro. Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles já estaria apalavrado com o PSB para concorrer à presidência nas eleições de 2018.

Segundo reportagem veiculada pelo jornal Correio Braziliense, Meirelles teria recebido aliados políticos na última quarta-feira, dia 13, em jantar realizado em sua casa, no Lago Sul, em Brasília. Ex-presidente do Banco Central durante o governo Lula, o economista seria considerado uma aposta viável pelo PSB por se descolar da imagem de políticos tradicionais, em franca decadência no Brasil.

No entanto, para que uma eventual candidatura do ministro se tornasse viável, a economia precisaria estar em boas condições até meados de 2018, quando a campanha à presidência ganhará fôlego. Para analistas, a chance de disputar o cargo político mais alto do país pode ser um incentivo para Meirelles aplicar medidas que fortaleçam a economia brasileira no curto prazo.