Há pelo menos dois anos, ele recuava quando a questão era a concorrer ao cargo de Presidente da República do Brasil. Era sensato, uma vez que o PSDB - partido aliado do governo Michel Temer [VIDEO] -, para 2018, ainda tinha esperanças de relançar o senador mineiro Aécio Neves que, em 2014, perdeu a eleição para a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em segundo turno, por uma diferença de 3.459.963 votos.

Mas a denúncia da Procuradoria Geral da República contra o neto e herdeiro político do ex-presidente Tancredo Neves, morto em abril de 1985, derrubou os planos dos tucanos.

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No dia 02 de junho, Rodrigo Janot ofereceu ao Supremo Tribunal Federal (STF) denúncia contra o senador e ex-governador de Minas Gerais pelos crimes de obstrução da Justiça e corrupção passiva.

Na mesma ação, o procurador-geral da República também pediu que a Suprema Côrte decretasse a perda da função pública para o peessedebista.

Janot baseou-se nas investigações da operação Patmos da Polícia Federal, no âmbito da Lava Jato, que apurou a tentativa de Aécio Neves de frear esta que é a maior apuração de escândalos de corrupção do país.

Fora de cena por questões óbvias, o senador mineiro [VIDEO] deixa o caminho livre para o PSDB indicar outro nome à concorrência presidencial de 2018.

O partido tinha o governador Geraldo Alckmin (SP) como opção mas passou a vislumbrar uma possibilidade mais concreta com o prefeito da capital paulista João Doria, seu afilhado.

Em novembro de 2016, delações de executivos da empreiteira Odebrecht deram conta de que o governador paulista recebeu propina para a execução de obra de duplicação da rodovia Mogi-Dutra.

O governador aparece nas planilhas da construtora sob o codinome "Santo".

A mesma alcunha também foi revelada em um e-mail enviado por Márcio Pelegrino, executivo da empresa, no ano de 2004. Ele era o responsável pelo gerenciamento da construção da linha 4 - Amarela do Metrô. A mensagem diz respeito ao repasse de meio milhão de reais à campanha do peessedebista.

Investigações em andamento e eis que "Santo" resolve quebrar o silência e admite concorrer à Presidência da República no pleito de 2018.

Entretanto, seu afilhado João Doria, nitidamente em campanha presidencial uma vez que tem realizado viagens por todo o país - deixando a administração municipal a cargo de seu vice Bruno Covas ou do presidente da Câmara de Vereadores, João Leite (DEM), quando Covas não está na capital como acontece atualmente (em viagem a Londres, na Inglaterra) -, pode minar seus planos dentro do próprio PSDB em futuras prévias que decidirão qual nome disputará o próximo pleito à Presidência.

Doria, por sua vez, tem dito que não enfrentará seu padrinho em prévias no partido e que poderá, inclusive, trocar de sigla partidária.

Isso é pouco provável, pois o PSDB certamente não abrirá mão de seu nome, visto com mais força ante ao do governador.

O mais provável é que os líderes da legenda convençam Alckmin a desistir da candidatura para apoiar Doria e, caso o prefeito paulistano seja eleito, assuma algum ministério em sua gestão.