A ex-primeira-dama do estado do Rio de Janeiro, Adriana Ancelmo, que é esposa do ex-governador Sérgio Cabral e que se encontra preso por crimes relacionados à corrupção no estado, foi alvo de uma nova polêmica recentemente. Dessa vez, novas revelações foram feitas pela diretora de uma das mais requintadas redes de joalherias do país, a H.Stern.

A diretora comercial da empresa, Maria Luiza Trotta, afirmou nesta terça-feira (19) que a advogada Adriana Ancelmo teria delineado algumas exigências, em relação a aquisição de jóias caríssimas provenientes da joalheria supra-citada. O depoimento prestado pela diretora na data desta terça-feira, ocorreu na sétima Vara Federal Criminal, no Rio de Janeiro e no âmbito da Operação Lava Jato, que é conduzida no estado, pelo juiz federal Marcelo Bretas.

Exigências para total 'discrição'

De acordo com as informações prestadas na audiência, a diretora Maria Luiz Trotta foi enfática ao afirmar que a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo, fazia várias exigências, em se tratando de que ao implementar a compra de jóias e pedras preciosas caríssimas, comercializadas pela empresa H.Stern, seria fundamental que fosse mantida "discrição total", durante a concretização do negócio. Uma das principais exigências de Adriana Ancelmo seria ainda que a empresa não emitisse notas fiscais dos produtos comercializados, principalmente, em se tratando dos valores mais altos.

Segundo a diretora Maria Luiza, a ex-primeira-dama chegou, inclusive, a comprar um par de brincos pela quantia de R$1,8 milhão. No entanto, com base nessas compras de alto valor, a esposa de Sérgio Cabral possuía atendimento totalmente personalizado na joalheria.

Vale ressaltar que os comprovantes eram emitidos somente para a compra de jóias de menor valor. Além disso, o atendimento exclusivo à ex-primeira-dama favorecia que a depoente se dirigia até a residência do casal Cabral ou mesmo, até a sede do governo do estado do Rio de Janeiro, no Palácio Guanabara.

A diretora da H.Stern foi ainda mais longe ao se referir à Adriana Ancelmo, de que "não se tratava de um atendimento usual, pois, era um atendimento com muitas exceções ao mesmo tempo". Maria Luiza concluiu ainda que "nenhum outro cliente da empresa teve todas essas prerrogativas", em alusão à esposa do ex-governador carioca. Em um relato inusitado, a diretora da joalheria chegou a dizer que Adriana Ancelmo não queria mais os diamantes brancos, mas sim diamantes amarelos, o que fez com que Maria Luiza tivesse a missão de procurar esse tipo de produto. A diretora comercial da empresa assinou um acordo de colaboração premiada juntamente ao Ministério Público Federal, em uma ação penal que investiga a prática de crimes relacionados à lavagem de dinheiro, através da aquisição de pedras preciosas e jóias oriundas da H.Stern.