Raquel Elias Ferreira Dodge, 56, formada em Direito pela UNB com mestrado e doutorado em Harvard, desde a semana passada, assumiu o posto mais alto no MPF.

Dodge já chegou mexendo nos quadros compostos pelo antecessor, Rodrigo Janot, e, imediatamente, destituiu oito dos dez integrantes da força-tarefa da Lava Jato nomeados por ele, fato que causou incômodo e alimentou a tese de que Dodge e seu antecessor nunca se harmonizaram.

Com isso, cumpre integralmente o que vinha prometendo desde que passou a concorrer ao cargo. De modo que há uma espécie de divisão em duas frentes, uma de Janot, que foi mantida, e outra será constituída por Dodge.

Rodrigo Janot ignora posse da sucessora

O fato é que Rodrigo Janot sequer compareceu a cerimônia de posse, o que soou de todo indelicado, reflexo da temperatura em que a substituição da cadeira da PGR representa. Desculpas à parte, Janot alega não ter sido formalmente convidado, o que Dodge nega, dizendo ter enviado o convite oficialmente por correio eletrônico.

“O êxito dela é a nossa vitória”

Ainda assim, Janot expressou em rápidas palavras votos de sucesso à sucessora "Que a nova PGR encontre alegria diante das adversidades e seja firme frente aos desafios, pois o êxito da colega Raquel Dodge será a vitória de todos nós".

Pessoas do convívio de ambos dizem ser bastante convergentes as posturas políticas de ambos e remetem a diferença sobre convicções religiosas, Dodge católica e Janot sem definição, opções que não devem interferir na condução dos trabalhos da PGR.

MPF rachado ao meio

Há uma certa cisão dentro do MPF com a escolha de Dodge para o cargo; a linha de procuradores mais ligados à área cível tendem a inclinarem-se a ela, por outro lado, Janot tem uma maciça força na linha criminal do MPF [VIDEO], o que faz com que entre alguns mantenha um certo prestígio. O reflexo se viu na discrição com que Dodge se referiu a Lava Jato em seu discurso.

Segundo fontes, Dodge costuma concentrar tudo em seu alcance próximo. A diferença? Dodge é muito mais inserida no mundo político, coisa que Janot preferia distância. Muito técnica, tenaz e ambiciosa, ao que se registra, é bastante rígida.

O futuro da Lava Jato nas mãos de Dodge

De tudo, que a Lava Jato siga seu destino. Dodge, em campanha, prometeu cuidado com os acessos aos sigilos de investigados e supressão de vazamentos. A intenção é acabar com aquilo que alguns políticos intitularam de ‘show de pirotecnia’ promovido pelo MPF. A rigidez no controle e imparcialidade, da qual Janot tanto foi criticado, está cotado para integrar as páginas de um passado a ser esquecido.