O cantor e compositor Caetano Veloso e sua esposa Paula Lavigne estão recebendo em sua casa vários personagens políticos para debates sobre a corrupção. A ideia principal é reunir forças para discutir a conjuntura brasileira com pensamentos de artistas e políticos. O cantor tem promovido os jantares desde o primeiro semestre e os encontros são organizados por Paula Lavigne. E são destinados tanto às pessoas que se identificam com a esquerda quanto àquelas que são ligadas a grupos mais de direita.

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O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) foi o responsável por levar o procurador da República e coordenador da Operação Lava Jato [VIDEO], Deltan Dallagnol, à casa de Caetano e Paula Lavigne há quatro semanas.

Uma das coisas que talvez o procurador não soubesse é que o cantor fez duras críticas à Lava Jato tratando a operação como "parte da histeria moralista".

Caetano, no começo do encontro, estava bem calado e só observava tudo. Quando passou da meia noite e vários convidados já haviam ido embora, Caetano e Deltan conversaram mais e o papo foi até 3 horas da madrugada.

Uma cilada?

De acordo com o site "O Antagonista", Deltan Dallagnol foi alvo de uma 'cilada' nesse encontro. A intenção de Caetano seria defender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Primeiro, o compositor falou sobre a apresentação do PowerPoint feita pelo procurador, que destacou Lula como o chefe do esquema criminoso montado pelo PT. Caetano disse que entende a necessidade das investigações sobre o ex-presidente, mas não concordava em "matar" o que o petista representa num país marcado pela desigualdade social.

Deltan rebateu e disse que aquilo que foi mostrado é uma tese de acusação do Ministério Público Federal (MPF). Mesmo ressaltando que poderia ter ocorrido algum tipo de falta de comunicação da força-tarefa com as pessoas, o MP não aceita o que Lula [VIDEO] fala de não haver provas contra ele e só convicções. Para Dallagnol, esse tipo de fala vem daqueles que são críticos à Lava Jato e há sim muitas provas contra o petista.

Alvo

Caetano, não se convencendo das explicações de Deltan, questionou por que o PT era o único partido que a Lava Jato tinha como alvo. Deltan refrescou a memória do cantor lembrando-o do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que era inimigo declarado do PT e havia sido alvo da operação. Segundo o procurador, só não existem mais políticos sendo investigados porque eles são protegidos por foro privilegiado e isso fica a cargo do Supremo Tribunal Federal (STF) resolver.

Paula Lavigne foi com a cara do procurador e disse que ele era simples, normal e sincero.