A divulgação de conteúdo considerado "bombástico", em se tratando da recuperação de cerca de quatro horas de gravações dos áudios do empresário goiano Joesley Batista, que acabaram sendo periciados pela Polícia Federal, mesmo após a tentativa de que fossem apagados do gravador do dono de uma das maiores empresas na venda de carnes processadas em todo o mundo, a JBS, elevou os riscos inerentes a uma possível cassação do acordo de colaboração premiada para patamares ainda mais altos.

O empresário goiano havia firmado um acordo de colaboração premiada juntamente à Procuradoria-Geral da República, que é comandada até o dia 17 de setembro, pelo procurador-geral da República e chefe do Ministério Público Federal, Rodrigo Janot, considerado um grande desafeto do presidente da República, Michel Temer.

Novos áudios colocam acordo de delação em risco

O conteúdo recuperado de novos áudios atribuídos ao empresário Joesley Batista e a um dos executivos da empresa JBS, Ricardo Saud, podem comprometer ainda mais os acordos de colaboração premiada selados entre os empresários e a Procuradoria-Geral da República, além de envolver ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em um dos grampos entregues na última semana e que havia sido periciado pelos investigadores da Polícia Federal, Joesley Batista e Ricardo Saud conversam a respeito da proximidade, em relação a uma conversa que teria sido gravada em diálogo com o ex-ministro petista da Justiça, durante gestão de Dilma Rousseff na Presidência da República, José Eduardo Cardozo. De acordo com o conteúdo dos áudios periciados, Joesley e Saud conversam sobre como poderiam atrair o ex-ministro Cardozo para um encontro, de modo que pudessem afirmar que seria para a contratação de serviços advocatícios, como pretexto.

Entretanto, o principal motivo para que se concretizasse a reunião, seria a tentativa de "arrancar" informações consideradas preciosas, em relação ao ministros do Supremo. Na gravação, Ricardo Saud teria dito a Joesley Batista que ouvira de Cardozo que ele "teria cinco ministros do Supremo no bolso". O mais inusitado, é que Joesley Batista e Ricardo Saud se referiram, em se tratando da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, por meio de uma "piada". Eles acabaram revelando uma suposta proximidade entre o ex-ministro José Eduardo Cardozo, a ex-presidente Dilma Rousseff e a atual presidente do Supremo, Cármen Lúcia.