O ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, responsável pela condução dos trabalhos de investigação da Operação Lava Jato, no âmbito do Ministério Público Federal que recentemente encerrou seu mandato à frente da instituição no último dia 17 de setembro, se manifestou sobre denúncia apresentada por ele, contra os ex-presidentes da República, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT. Rodrigo Janot se referiu a uma ação cautelar que corre no Supremo Tribunal Federal (STF).

Não perca as atualizações mais recentes Siga o Canal Lava Jato

'Flechada' de Rodrigo Janot mira petistas

De acordo com a denúncia apresentada pelo ex-procurador-geral Rodrigo Janot, não somente os ex-presidentes da República, Lula e Dilma, estariam implicados em se tratando de um processo que investiga a utilização de mensagens secretas, através de e-mails, para a propagação de meios corruptivos, mas também, o ex-ministro do Governo Dilma, Aloizio Mercadante.

Os desdobramentos das investigações que foram conduzidas durante o período em que Janot comandou a Procuradoria-Geral da República dão conta de dados telemáticos teriam sido obtidos, através das apurações relacionadas sobre o caso e que se encontram em total "sigilo" na mais alta Corte brasileira; o Supremo Tribunal Federal (STF).

As investigações remontam à participação da ex-presidente Dilma Rousseff, numa troca de e-mails com a ex-publicitária Mônica Moura, com o objetivo expressado nas mensagens "secretas", em poder avisá-la sobre sua iminente prisão na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. A troca de e-mails confirmada pela Procuradoria-Geral, relatam a criação de um e-mail fictício, em que Dilma possuía o codinome "Iolanda". Mônica teria criado no computador da ex-presidente a conta de e-mail com os dados fictícios, com uma senha compartilhada entre as duas e entre o ex-assessor de Dilma, Giles Azevedo.

Segundo as informações prestadas por Mônica Moura em seu acordo de delação premiada, se caso houvesse algum avanço na Operação Lava Jato, com o risco de o casal de publicitários Mônica e João Santana serem presos, Dilma os avisaria instantaneamente nesse e-mail. O processo envolve ainda, além das mensagens trocadas entre a ex-presidente Dilma e a publicitária petista, o apoio político, financeiro e jurídico, por parte do ex-ministro Aloizio Mercadante, com o intuito de se barrar, durante o ano de 2015, o provável acordo de colaboração premiada do ex-senador Delcídio do Amaral.

Não bastassem todas essas implicações contidas no processo que está sob sigilo no STF, ainda consta a suposta finalidade para se garantir foro privilegiado ao ex-presidente Lula, através da conturbada tentativa de nomeação dele para o cargo de ministro-chefe da Casa Civil, do governo Dilma, o que acabou não se concretizando.

Defesas contestam

A defesa da ex-presidente Dilma Rousseff se manifestou ao firmar que seria lamentável que o ex-procurador-geral da República, venha propor a abertura de uma nova ação penal, sem fundamento.

Já a assessoria do Instituto Lula, afirmou que a denúncia apresentada pela PGR, sob a condução de Janot, estaria buscando gerar um ruído midiático que pudesse encobrir questionamentos sobre sua atuação no crepúsculo de seu mandato. A defesa do ex-ministro Mercadante afirmou que essa denúncia já teria sido apresentada na Comissão de Ética Pública da Presidência da República e que, por decisão unânime, teria absolvido o ex-ministro petista. Vale ressaltar que a denúncia envolvendo os petistas Lula, Dilma e Mercadante se baseia na prática de crime de obstrução de Justiça.