O ministro Edson Fachin acolheu o pedido da defesa do presidente Michel Temer feita ao Supremo Tribunal Federal (STF) de ‘sustação de qualquer nova medida’ impetrada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. A defesa de Michel Temer protocolou uma liminar onde peticiona a suspeição (termo técnico jurídico que solicita o impedimento do magistrado) do procurador-geral da República nas ações que envolvem o presidente Michel Temer.

‘’Enquanto houver bambu, lá vai flecha’’ foi a frase dita por Janot ao ser questionado sobre o final de seu mandato na como chefe da PGR, no próximo sábado (16), o que motivou a defesa de Temer a insistir em sua suspeição, baseando-se na tese de perseguição ao presidente da República.

Os advogados de Temer afirmam que os delatores da JBS caíram em descrédito e que o procurador é parcial ao julgar os atos sobre Michel Temer, influenciando de alguma forma na crise atual do governo. Aproxima-se o momento do procurador encaminhar formalmente uma segunda denúncia contra Michel Temer, que se trata de obstrução de Justiça. Já a primeira ação de Janot por corrupção passiva foi barrada na Câmara, evitando assim o impeachment do presidente.

A defesa de Temer ganha tempo com a gravação da JBS entregue à Justiça de aproximadamente 4 horas, em que o empresário Ricardo Saud juntamente com Joesley Batista tratam de articulações que possivelmente possam envolver até ministros do Supremo Tribunal Federal.

Em dado momento da conversa, Saud diz a Joesley Batista que Rodrigo Janot poderá vir a trabalhar no escritório onde o seu ex-auxiliar de procuradoria Marcelo Miller atuava como advogado, afirma a defesa de Temer.

Lembrando que Marcelo Miller, quando fez parte da equipe de Janot, atuou diretamente no acordo de leniência da J&F que controla a JBS.

Os advogados responsáveis pela defesa de Temer [VIDEO], Jorge Urbani Salomão e Antonio Claudio Mariz de Oliveira, tentam desqualificar possíveis novas medidas de Janot, justificando, segundo eles, que as provas produzidas e noticiadas em delações premiadas são inválidas. Por conta disso, se faz necessário a suspeição do procurador nos casos referentes ao chefe da Nação.

Eles ressaltam o fato de que o ex- procurador Marcelo Miller fora um membro da força-tarefa da Operação Lava Jato, [VIDEO] que conduziu o acordo de leniência recentemente, e chegou a defende os interesses como advogado do grupo J&F no escritório contratado pelo grupo, sugerindo que futuramente possa ser o mesmo destino de Rodrigo Janot, conforme gravação de Ricardo Saud.