Após a maioria da bancada evangélica ter votado em favor do arquivamento da denúncia de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer, o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) e outros seis deputados solicitaram o cancelamento de uma exposição cujos temas são os golpes de 1964 e 2016. A exposição está em exibição no Museu da República, em Brasília.

Recentemente, o Movimento Brasil Livre manifestou-se contra a exposição ''Queermuseu'', em exibição no Santander Cultural [VIDEO], na cidade de Porto Alegre (RS), alegando que esta possuía conteúdos relacionados à pedofilia, zoofilia, desrespeito às crenças religiosas, entre outras obras de caráter polêmico.

Segundo o curador da exposição, o objetivo da mesma seria apenas promover a diversidade. Nesta ocasião, o MBL conseguiu o cancelamento da exposição e aqueles que, por acaso, sentiram-se ofendidos com o conteúdo da mostra, receberam um pedido de desculpas do espaço cultural do Banco Santander.

No Museu da República, no entanto, essa situação não deverá se repetir. Em entrevista à revista Fórum, Wagner Barja, diretor do museu, declarou que não existe qualquer possibilidade de obras serem retiradas do museu, e que tampouco nenhuma exposição será cancelada. “A política aqui é que quem entra no museu tem que sair diferente. Museu não é parque de diversão. É para incomodar mesmo, para fazer pensar”, afirmou Barja.

Os deputados foram em comitiva ao Museu da República pelo cancelamento da exposição no último dia 13.

De acordo com o diretor do museu, os deputados da bancada evangélica não chegaram a falar diretamente com ele, mas com o mediador do Museu da República, que teria esclarecido aos parlamentares todo o propósito das obras e explicado que elas não poderiam ser censuradas.

“Esse tipo de visita não é bem-vinda. Nós temos respaldo no que estamos fazendo. Não estou aqui brincando de fazer museu. Se eles vieram aqui com a família para apreciar a exposição, serão bem-vindos. Mas, dessa maneira, com o objetivo de censurar, não aceitaremos”, completou Barja.

Marco Feliciano não estava em evidência há um bom tempo, desde que foi processado por Patrícia Lelis, que o acusou de tentativa de abuso e agressão. No entanto, a proximidade da campanha eleitoral do próximo ano e as manifestações do Movimento Brasil Livre contra a exposição do Santander, aparentemente inflamaram no deputado o desejo de mostrar as caras novamente.