Um dos braços-direitos de Michel Temer [VIDEO], o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), voltou à cadeia nessa última sexta-feira (8). O peemedebista cumpria prisão domiciliar desde julho, quando foi preso a primeira vez na Operação Cui Bono. Naquele momento, Vieira Lima era acusado de obstrução de Justiça. Segundo o depoimento do doleiro do PMDB, Lúcio Funaro, e de executivos da J&F, o ex-ministro tinha como função fazer com que o presidiário Eduardo Cunha (PMDB) permanecesse calado. Agora, ele foi preso devido a apreensão da Polícia Federal (PF) de R$ 51 milhões em um imóvel utilizado por ele. Até suas impressões digitais foram achadas no dinheiro.

Os procuradores responsáveis pela operação que prendeu Geddel Vieira Lima pela primeira vez afirmaram que ele é um "criminoso habitual". Segundo os procuradores, a prisão domiciliar determinada pela Justiça não impediu em nada que o ex-ministro de Temer continuasse a cometer crimes.

O pedido de prisão de Geddel Vieira Lima foi feito pela Polícia Federal e posteriormente confirmado pelo Ministério Público Federal. A apreensão da quantia no que foi chamado de "bunker" do peemedebista foi feita na terça-feira (5), mas só na manhã de sexta que a prisão preventiva foi decretada. No período da tarde, o articulador de Temer foi levado de Salvador, onde reside, para Brasília, onde ficará preso no presídio da Papuda.

Conheça mais um braço direito de Temer preso

Essas duas prisões do peemedebista não são os primeiros escândalos envolvendo seu nome.

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Por exemplo, pela Operação Lava Jato, ele é um dos suspeitos de ter recebido propina tanto da Odebrecht quanto da OAS, duas das principais empreiteiras investigadas.

Geddel Vieira Lima é conhecido por ser um político articulador, e era exatamente essa sua função no governo Temer. Por trabalhar nos bastidores, era pouco conhecido do grande público. O momento em que seu nome apareceu pela primeira vez em destaque nas manchetes dos jornais foi quando ele pressionou o até então ministro da Cultura, Marcelo Calero, para que a pasta que comandava liberasse a construção de um prédio em que ele possuía um imóvel. O Ministério da Cultura havia proibido a construção do edifício, pois ele seria levantado em uma área tombada pelo patrimônio histórico.

Berço de ouro

Geddel Vieira Lima vem de uma família tradicional na política baiana. O ex-ministro peemedebista é filho de um ex-deputado, Afrísio Vieira Lima. Na época em que Viera Lima iniciou sua vida pública na década de 80, a família Magalhães já dominava a política na Bahia.

Com o pai aliado de Antônio Carlos Magalhães, governador da Bahia naquela época, Geddel assumiu um cargo no Banco do Estado da Bahia como sua primeira função política.

O primeiro grande escândalo nacional envolvendo Geddel Vieira Lima foi o famoso caso dos "Anões do Orçamento". Um grupo de congressistas se envolveu em fraudes com recursos do Orçamento da União no final da década de 80 e início da de 90. Em 1993, foi aberta uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o caso. Para a sorte de Geddel, Luís Eduardo Magalhães, filho de ACM, era o presidente da Câmara dos Deputados quando tudo ocorreu. Por ter um aliado como principal nome da Casa Legislativa, o peemedebista conseguiu se safar e manter o mandato.

Aliado, mas nem tanto

No dia da prisão do seu ex-ministro e articulador, Michel Temer divulgou um vídeo em que "esquece" de comentar a situação do aliado. Segundo a fala de Temer, "a semana foi repleta de boas novas". Em outro momento, o peemedebista afirma que o povo deseja que ele corrija a economia. Porém, a memória de Temer parece não ser das melhores, já que na última pesquisa Ibope sua popularidade chegou a estarrecedores 5%, a pior em 30 anos.